Este país parece viver em permanente silly season. E a tolice da estação parece afectar sobretudo aqueles a quem é exigível mais lucidez: Presidente da República, Primeiro-Ministro, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Procurador Geral da República, ministros, dirigentes partidários, e por aí abaixo.
É por demais evidente que a D. Manuela e o PSD viram nesta sucatice chamada "Face Oculta", onde parece grassar o crime mais rasteiro, uma boa oportunidade para fazerem esquecer, por um lado, a verdadeira corrupção que houve no caso BPN, que implicou a medula do próprio PSD, e, por outro lado, para vingarem a derrota eleitoral ainda não digerida pela medíocre líder social-democrata.
Daí a sua histeria para exigir a divulgação das escutas feitas a Sócrates e a abertura de processos crime contra o Primeiro-Ministro.
Seria curioso que o alvo dessas escutas fosse o Presidente da República para se perceber até que ponto iria a fúria do PSD.
Ao PSD não interessa a defesa do Estado de Direito, interessam a luta e a vindicta políticas.
Vejamos o que está em causa.
Numa escuta a Armando Vara são gravadas 52 cassetes contendo escutas ao Primeiro Ministro.
A escuta a Armando Vara é legal. Mas sê-lo-á a escuta ao Primeiro- Ministro?
É por demais óbvio que não. Isto porque o artº 11º2-b) do Código de Processo Penal exige, para que o Primeiro Ministro seja sujeito a escuta telefónica, autorização do Presidente do STJ.
E compreende-se bem que assim seja. Seria extremamente perigoso para a segurança do Estado que um qualquer juiz pudesse ordenar escutas telefónicas ao Primeiro Ministro, assim como ao Presidente da República e ao Presidente da Assembleia da República, que é também o substituto do Presidente da República.
O legislador entendeu, e bem, que tão grave decisão só pudesse ser tomada pelo Presidente do STJ.
Embora a lei não o diga, entendo mesmo que outras figuras do Estado, nomeadamente Chefes de Estado Maior, Ministros, Conselheiros de Estado, e outros detentores, em maior ou menor grau, de segredos de estado, só deveriam ser sujeitos a escutas telefónicas com autorização do Presidente da Relação competente.
Então qual deveria ser a atitude do inspector da PJ e do Procurador da República quando se aperceberam que Vara estava a conversar com o Primeiro-Ministro?
É óbvio que só poderia ser o desligarem o aparelho de escuta para cumprirem a lei.
Ao não o terem feito, ao persistirem, repetidamente, em dias e meses diferentes, nessas escutas, que não estavam autorizadas pelo Presidente do STJ, quer o agente da PJ, quer o Ministério Público que dirigia as escutas cometeram o crime de realização de escuta telefónica ilegal, tal como o prevê o artº 194º do Còdigo Penal, que dispõe:
Artigo 194.º - Violação de correspondência ou de telecomunicações
1 - Quem, sem consentimento, abrir encomenda, carta ou qualquer outro escrito que se encontre fechado e lhe não seja dirigido, ou tomar conhecimento, por processos técnicos, do seu conteúdo, ou impedir, por qualquer modo, que seja recebido pelo destinatário, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 240 dias.
2 - Na mesma pena incorre quem, sem consentimento, se intrometer no conteúdo de telecomunicação ou dele tomar conhecimento.
3 - Quem, sem consentimento, divulgar o conteúdo de cartas, encomendas, escritos fechados, ou telecomunicações a que se referem os números anteriores, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 240 dias.
E também terá cometido o mesmo crime o Procurador Geral da República, ao tomar conhecimento, se é que tomou, do conteúdo dessas escutas que não estavam autorizadas pelo Presidente do STJ.
Ao saber dessas escutas deveria ter ordenado a sua destruição pura e simples, sem as enviar sequer para o Presidente do STJ.
As declarações infundamentas do Ministro Vieira da Silva, e as declarações histéricas do Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e associados do mesmo sindicato fazem parte apenas da tal tontice geral que está a assolar os responsáveis por uma Justiça totalmente desacreditada.
Assim como a incapacidade de todos em lidarem que a tão medíocre e desonesta comunicação social deste país.
( fragmento)
Corri sobre as águas com meus pés de basilisco
Fugi entre o mirto selvagem e o hibisco
Do meu rosto oculto
Ali estava o triste inferno
E eu queria ser célebre -escrito com a mão direita
- Lúcifer infantil de espírito
Diz-me eu sou a vida
E cinge-me com o seu ancinho.
Afinal ele está em cima mas é igual
Ao que está em baixo
Ambos me cingem com os seus ancinhos farsistas
Morais.Mas onde está a moral
Da Morte?
No céu pacífico apenas com o riso
Da Via Láctea semeio a areia
Dilacero-me a face
Com a faca mais fina pensando
Assim instruir-me no culto dos mortos
- Porque moro no Ocidente.
Ridícula ilusão é isto da invenção da arte.
Pouco falta para Saramago ser lançado à fogueira por ter afirmado uma verdade evidente: que a Bíblia é um "manual de maus costumes."
Esta afirmação é de uma verdade tão evidente, que só por ignorância, má fé ou ingenuidade se pode dizer o contrário.
Infelizmente, quase todos os que se dizem católicos, incluindo muitas luminárias que aparecem em público a dar palpites, nunca leram a Bíblia. Porque se a lessem sem preconceitos perceberiam que o Deus do Antigo Testamento não passa de um tiranete de uma tribo de beduínos.
É claro que, ingenuamente, ou por interesse, sempre poderão dizer os seguidores das religiões hebraico-cristãs que a Bíblia não pode ter uma leitura literal, que tem de ser lida como obscura,e até insondável, palavra de Deus que os pobres mortais não podem alcançar.
Curiosamente, são esses que entendem que as passagens da Bíblia mais agradáveis à sua consciência podem ser tomadas à letra, e que Cristo usou uma linguagem simples para ensinar os homens.
Mas vamos ao que lá está escrito para verifircarmos a razão de Saramago.
Desde logo, os direitos dos descendentes de Israel, isto é, de Jacob, isto é, toda a narrativa bíblica, assenta numa miserável fraude. Israel, industriado por sua mãe Rebeca, que o preferia ao outro filho Esaú, que, por sua vez, era o preferido do cego Isaac, seu pai, monta uma burla para enganar o pai, fazendo-se passar pelo irmão, cobrindo as mãos e o pescoço com uma pele de carneiro (pois o irmão era peludo) para obter do pai a benção a primogenitura e a benção que lhe davam o domínio sobre a família e o direito a dois terços da herança, que o pai destinara ao primogénito Esaú.
É sobre essa vigarice aprovada pelo Senhor que se constrói a casa de Israel e toda a narrativa bíblica.
Daí para a frente é um desenrolar de traições, de crimes e de burlas sobre as quais assentou o poder da casa de Israel, passando pela divisão em dois reinos, de Israel e de Judá, até ao fim da independência de ambos os reinos ( se é que alguma vez foram verdadeiramente independentes, e não foram sempre tributários de outros reinos, nomeadamente do Egipto).
Então aquele que é tido como exemplo de uma grande e bom rei, tão bom que dele descende Cristo, segundo os Evangelhos, é um exemplo de mau carácter a todos os títulos condenável. Afasta pela intriga os descendentes de Saúl, é pedófilo, assassino, injusto, entre um imenso rol de defeitos.
E, dizer-se que era um grande rei, é algo de ridículo. Israel, no seu período de maior expansão, nunca foi sequer do tamanho de metade de Portugal.
Mas basta citar duas passagens bíblicas para se perceber quanto o Deus dos Judeus é mau e cruel.
1ª Passagem: JOSUÉ, 6, 20-21:
" A CONQUISTA DE JERICÓ...as muralhas da cidade desabaram e os filhos de Israel subiram à cidade...
Tomaram a cidade e votaram-na ao anátema passando a fio de espada tudo o que nela encontraram: homens, mulheres, crianças, velhos, inclusivamente os bois, as ovelhas e os jumentos."
2ª passagem: DEUTERONÓMIO, 28, 15-27:
"Mas, se não escutares a voz do Senhor, teu Deus, se não praticares todos os Seus preceitos e as Suas leis, todas estas maldições virão sobre ti e serão tua partilha.Malditos serão o fruto das tuas entranhas, o fruto do teu solo, a prole dos teus touros e as crias das tuas ovelhas...
O Senhor enviar-te-á a peste...ferir-te-á com a consumpção, com a febre, com inflamações de toda a espécie...afligir-te-á com a úlcera do Egipto, com hemorróidas, com a sarna seca e húmida..."
Votar cidades ao anátema, para os Judeus era cumprir uma ordem divina.
As hemorróidas eram também um castigo divino.
É claro que se pode ler isto a uma luz insondável aos mortais.
Mas aqueles que não dispõem de qualquer sonda, aqueles que não vêem no túnel qualquer luz mas apenas hemorróidas, esses não poderão deixar de afirmar, se forem homens de pouca fé mas de bons princípios e bons costumes, que a Bíblia é um "manual de maus costumes".
William Blake
(fragmento)
Eu deveria passar por mim
Montado num cavalo amarelo
E dizer-me Adeus Adeus Adeus.
Mas sempre me repugnaram os poderosos
Castrados de olhos duros
Que se alimentam de carne e sangue
Dobrados nas suas bigornas.
Então esta noite sentei Belzebu nos meus joelhos
Cortei-lhe o sexo com o sílex solar
Injuriei-o amarrei-o
À cadeira de ferro ardente
E tudo porque ele comera o meu coração.
Ando agora à procura de Deus: isto é ridículo
Como são ridículos as trevas e os pulsares
Os falcões e as fumarolas
Deus que me ama tanto até me tornar
Em pó e alimento dos santos.
...
Impõem os carris
Da noite ao leito da terra
Mas a esses que são o alimento
Das galés eu sigo
Com a minha raiva e as minhas cadeias.
Faço-me a injúria de acreditar
E planto soldados em fila
Rumo ao sol.
Coração ânfora repetida
Regam os teus sonhos com absinto.
Oh meu cavalo dentro das nuvens
Um dia hás-de parar
Sobre o abismo divino
A crina às portas do céu.
1.
O que aconteceu ontem às oito da noite foi o funeral do cavaquismo feito pelo próprio Cavaco.
O que Cavaco Silva disse ontem é que ele, garante do regular funcionamento das instituições democráticas, não é capaz de garantir o regular funcionamento da sua própria instituição, a Presidência da República.
Começo pelo único caso verdadeiramente grave por ele abordado na sua dramática comunicação: a insegurança dos computadores da Presidência da República.
Haverá alguém deste mundo de hoje que não saiba que todos, mas todos os computadors do mundo padecem sempre de uma margem de insegurança?
Haverá alguém deste mundo que não saiba que há gente presa por ter entrado nos computadores do Pentágono, supostamente os mais seguros do mundo?
Então se há meses que Cavaco suspeitava da insegurança dos seus computadores, porque só ontem tomou medidas?
Porque é que não se faz a despistagem regular dessas margens de insegurança?
A exibição da sua incompetência, neste aspecto, na sua comunicação de ontem, é dramática.
2.
MAIS: as suspeitas que tinha eram suspeitas da prática de graves crimes contra o Estado. E, então, o Presidente da República não exige ao Procurador Geral da República que abra um inquérito sobre a eventual prática desses crimes, ainda por cima supostamente praticados por outro órgão de soberania, o Governo?
Como o próprio Procurador Geral da República nada fez face a essas suspeitas lançadas pelos subordinados do Presidente da República, só poderemos interpretar essa não actuação do Procurador Geral como a convicção, por parte deste, de que tudo não passava da tal sally season de que falava Sócrates. Com razão, como se veio a verificar.
3.
Dos restantes casos, o modo como ele falou e o que disse atinge as raias do ridículo.
Está enfurecido por ter sofrido pressões.
Mas então um Presidente da República dá importância a pressões que sofre ao ponto de ficar assim? É ele tão débil de espírito que não aguenta pressões e é incapaz de passar incólume a elas?
Seria difícil imaginar tanta inabilidade num Presidente da República. Tanta que vai ao ponto de deixar preocupado qualquer cidadão minimamente consciente.
Quanto ao resto só serve para reforçar o que antes vai dito.
O mistério de se saber que os seus colaboradores colaboravam também com o PSD, como se isso não viesse nos jornais, e não fosse divulgado pelo sítio do PSD na net.
O entender que isso não tinha importância nenhuma e depois queixar-se de que o queriam colar ao PSD, como se a colagem ao PSD dos seus colaboradores não o colasse também a ele.
A ridícula história da espionagem durante a ida à Madeira que nem uma linha merece.
O tal mail do PÚBLICO que o levou a suspeitar que os seus computares estavam a ser objecto de devassa, como se os seus computadores fossem a origem desse mail, deixando supor que realmente o eram.
Tudo, no fundo, a dar-nos a certeza de que estava metido na tal intrigalhada que envolveu a gente do PSD e do PS, qual deles o pior.
Isto é: a dar-nos a certeza de que alguém que se diz pairar acima da baixa política, em desespero de causa (que deveria ser alheia, do PSD), caiu no lamaçal político.
4.
Mas o que fez falar Cavaco foi o desespero. O desespero da sua própria morte já antes por outros anunciada.
O cavaquismo ficou em estado comatoso com a corrupção que devastou os seus actores principais: os Dias Loureiro, Oliveira e Silva e outros a nível superior,e os Isaltino Morais e Valentim Loureiro e quejandos a nível médio.
Agarrou-se à fiel Manuela como a sua tábua de salvação. E quando percebeu que esta estava perdida, perdeu também a cabeça.
Houve alguém que percebeu isso e falou da necessidade de o PSD fazer o funeral ao cavaquismo: foi LUÍS FILIPE MENESES.
Não foi preciso o PSD fazer-lhe o funeral. O próprio Cavaco se encarregou do seu funeral na noite de ontem, numa cena de ópera bufa.
Isto é: sem honra nem glória.
O único acontecimento verdadeiramente grandioso desta campanha eleitoral foi o soar da trombeta da Dona Manuela contra o perigo castelhano. Pela primeira vez, durante séculos, um líder vem alertar-nos: VÊM AÍ OS CASTELHANOS!
E sai a palavra de ordem:TUDO PELA NAÇÃO, NADA CONTRA A NAÇÃO!
Ai que saudades!
Infelizmente ninguém a compreendeu, nem o patriótico Dr. Portas.
Mas tenho esperanças que o Dr. Portas ainda a venha a compreender, e, juntos, formem a UNCC, UNIÃO NACIONAL CONTRA CASTELA.
Os outros não são precisos, bem pelo contrário, só estorvam, e para que a vitória seja certa, há que suspendê-los por seis meses, pelo menos.
A Presidente será, por lugar cativo, a Dona Manuela.
Secretário, lugar também cativo, o Dr. Portas.
Director Financeiro, Dr. Dias Loureiro.
Tesoureiro Mor: Dr. Oliveira Costa.
Adjunto do Tesoureiro Mor: Abel Pinheiro ( também Dr.).
Em primeira mão aqui revelo ( sem a ajuda da espionagem do gabinete de Sócrates) a nova tática do quadrado para vencer Castela.
O Dr. Dias Loureiro vai à Feira da Ladra e compra umas avionetas, dessas que caem, através duma conta sediada no off-shore da Madeira. Serão compradas 20% acima do preço de feira, sendo 10% para remunerar o génio financeiro do Dr. Loureiro e o seu sacrifício de ir à Feira da Ladra, e outros 10% para a campanha da UNCC.
Já temos os submarinos do Dr. Portas, mas para os usar, como estão umas prestações do leasing atrasadas, o Abel Pinheiro, também Dr., vai renegociar um plano de pagamento, entregando um cheque sem cobertura do Dr. Oliveira Costa ( perdido por cem, perdido por mil, diz ele).
Entretanto, a Dona Manuela já formou um exército de piquenas e médias padeiras, e aí vão todos, em pé de guerra:
Às 2ªs 4ªs e 6ª s ataca o Nuno Rogeiro, que é quem percebe de avionetas.
Às 3ªs 5ªs e sábados, o Dr. Portas defende Lisboa de espada em riste, cada perna sobre um submarino, no Mar da Palha.
Aos domingos, que é quando os castelhanos vão à missa e dormem a sesta, depois da semana cheia da canseira da guerra, a Dona Manuela e o seu exército de padeiras atacam, e matam, cada uma, sete castelhanos à pàzada.
A derrota será ainda mais pesada do que em Aljubarrota!
Então poderemos respirar de orgulho porque estará vingada Olivença.
Então poderemos gritar bem alto, quando nos perguntarem quem viva:
PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!
É mais que evidente que Sócrates venceu, mas com clareza, o debate com a D. Ferreira Leite. Em termos futebolísticos, a Ferreira Leite levou, pelo menos, 4-1. E Sócrates venceu o debate precisamente no espaço em que ela se pretende afirmar como intocável: o do carácter. Sócrates demonstrou, à saciedade, que a Dona tem falta de carácter: ele é a história da Madeira, ele é o TGV, ele é a questão da reforma do ensino, ele são as SCUTS, onde as suas posições se alteram conforme as conveniências. Tudo isso uma demonstração de falta de carácter.
Pena é que Sócrates não tivesse aniquilado, como poderia ter feito, as propostas liberais da D.Ferreira Leite com um exemplo: o da Irlanda.
A Irlanda é o exemplo claro de como a baixa excessiva dos impostos pode ser trágica para um país: face a um momento de catástrofe económica nacional, em que o investimento privado paralisou, o Estado, porque não tem receitas devido aos baixos impostos que manteve, não tem capacidade para ajudar os cidadãos e a economia. E, pior, vê-se forçado a aumentar os impostos num momento em que os deveria diminuir para ajudar a economia.
O contrário disso é a Suécia, em que o elevado nível dos impostos permitiu manter a economia, nesta fase difícil, quase sem sobressaltos quando comparada com o resto da Europa.
Mas talvez Sócrates não quisesse dar esse exemplo para não desagradar aos senhores do dinheiro.
Outra questão já abordada no texto anterior do odisseus: a da liberdade de informação.
Os canais televisivos que comentaram o debate foram todos de um facciosismo escandaloso. Quer na SIC, quer na TVI, todos, MAS TODOS os comentadores eram do centro e da direita. E, por isso, ou deram como resultado um empate, ou até, PASME-SE, a vitória no debate à Dona Ferreira Leite.
Esta é a verdadeira liberdade de informação que a Dona defende.
Mas é também um modo de avaliação do seu carácter.
Um tipo que se diz Alta Autoridade para a Comunicação Social, e como tal está a ganhar o nosso dinheirinho, o que faz ele face a casos destes? Nada. O que fazem o PS e as outras forças de esquerda? Que se saiba, NADA.
16 Agosto 2009
....
Se a manhã me proporcionou uma visão genérica da pintura que se fez em Portugal no século XX, através da visita à exposição cuidada, sem ser grandiosa, que apresenta o Museu do Chiado, a tarde proporcionou-me o espectáculo revivalista da Quinta da Regaleira. O cenógrafo Manini conseguiu aqui o seu melhor espectáculo transformando o tardo-manuelino num tardo-barroco.
Sendo um espaço que se pretende maçónico, a Regaleira obriga-me a uma reflexão sobre a essência da Maçonaria: afinal, a Maçonaria, mais do que uma elite intelectual e moral é uma elite económica. Seguramente nela não cabem já os pedreiros ou carvoeiros operativos porque, para estar nela, é preciso ter-se dinheiro.
E ter dinheiro não é sinónimo de ser elite intelectual e moral, como o pretende, pelo menos aqui, a Maçonaria. Talvez seja mesmo o seu contrário, como ficou recentemente demonstrado.
A Regaleira, obra-regalo de um capitalista, serve também para perpetuar esta confusão, para além de ser um espectáculo muito agradável à vista.