A
Água - Ah corpo feito de água -a meia noite te há-de petrificar.
Ar- Respiro-as em todas as vidas amadas.
Amada - Fazer renascer a alma no prazer e na mágoa - alfabeto do corpo dividido em cada estrada.
O EXPRESSO publicou na edição de sábado o texto que maior preocupação me causou nos últimos anos.
Na coluna ALTOS e BAIXOS, a pág. 8 do 1º caderno, e como estando em ALTO, o escriba do EXPRESSO disparou, citando FERNANDO LIMA ( o célebre assessor de CAVACO para a comunicação):
" uma informação não domesticada constitui uma ameaça", "controlar o fluxo noticioso...é de vital importância"
Ficamos a perceber o pretende a camarilha no poder e o seu verdadeiro chefe CAVACO: controlar a informação, e, com ela, as consciências:
Sabendo nós que:
1º A informação nacional, particularmente, é um caso repugnante de desonestidade intelectual e cobardia.
2º Está em curso a maior luta dos últimos anos pelo controle da comunicação social através da privatização da RTP.
3º A MAÇONARIA é a instituição a quem o Ocidente deve a liberdade conqistada com a Revolução Americana e a Revolução Francesa, e, entre nós, com a Revolução de 1820 e a Revolução Republicana.
4º A MAÇONARIA é, ainda hoje, um dos maiores garantes da liberdade.
5º O grupo do medíocre BALSEMÃO, a maior nódoa de primeiro ministro que Portugal já teve, está a praticar um vale tudo pelo controle da RTP.
Percebemos então a catadupa de contra informação lançada contra a MAÇONARIA por essa camarilha: o que eles pretendem é controlar a informação, isto é, a LIBERDADE, usando esse controle como modo de controle e perpetuação no poder, confundindo tudo: uma minoria de delinquentes que tomam conta de lojas maçónicas para as utilizarem em proveito pessoal e dos seus crimes, e a grande maioria de gente honesta e defensora da liberdade que se encontra na Maçonaria, em particular no GOL.
HITLER utilisou a mesma tática: como alguns judeus, muito poucos, eram agiotas, todos os judeus passaram a ser agiotas para a propaganda nazi.
Perante isto, que parece evidente, só nos pode espantar a atitude dos idiotas úteis, em particular do BE e dos blogs que o apoiam ( do PC já não se fala porque é caso perdido) perante esta propaganda protofascista contra a MAÇONARIA.
Mas daqui lhes lanço o alerta: A LIBERDADE ESTÁ EM PERIGO!
( artigo publicdo no semanário GRANDE PORTO de 6/1)
É difícil conceber-se mais cinismo do que o usado na comunicação de Natal de Passos Coelho. Falou em eliminar injustiças, diminuir desigualdades, democratizar a economia. Falou em confiança. Devem ter-lhe dito ao ouvido que um tal Francis Fukuyama escreveu um livro com esse título, em que demonstrava a importância da confiança para o bom funcionamento das economias e das sociedades, e Passos Coelho tirou o dito da cartola.
Era difícil ELE tirar pior coelho da cartola: que confiança merece quem chumbou o PEC III com o argumento de que trazia sacrifícios inaceitáveis aos portugueses e juros elevadíssimos, e bastaria ser ele a governar para LOGO os sacrifícios diminuírem e os juros baixarem? Que confiança merece quem aumenta a pobreza, aumenta as desigualdades, retira as possibilidades a quem está em baixo, vende o país a retalho, concentra a economia em cada vez menos, dá cada vez mais poder aos senhores do dinheiro, precariza o trabalho ao mais elevado grau, fazendo os trabalhadores perder a confiança no dia de amanhã, instaurando neles o medo e a angústia, usando técnicas de terror social e lavando os cérebros por meios de comunicação subservientes e cobardes que tem ao seu serviço?
Que confiança merece quem manda os portugueses emigrar?
É certo que os seus ministros merecem a confiança de alguns. Falemos só de dois, por não haver espaço para mais: o ministro da saúde, Paulo Macedo, merece toda a confiança dos seus antigos/futuros patrões ( ou sócios?) do grupo Mello e do grupo Espírito Santo, pois diz defender o SNS enquanto eleva os pagamentos obrigatórios para quem o usa a um nível em que se torna mais seguro recorrer aos privados desses grupos ( aliás, financiados pelo Estado), pois que se recorrer aos hospitais públicos faltam medicamentos para tratar doenças tão graves como o cancro.
O ministro das finanças Gaspar merece toda a confiança dos especuladores, banqueiros e corruptores/corruptos. Ele é o garante de que os bancos que recebem dinheiro a 1% do BCE poderão continuar a emprestar-nos dinheiro a 5% sem que no governo pestaneje. Merece a confiança de todos colocam os milhões em off-shores, como o fez hás dia o banco, sob seu comando, Caixa Geral de Depósitos, nas ilhas Caimão. Merece a confiança das gentes do BPN, dos submarinos, etc., porque não há dinheiro para contratar investigadores ou fazer tradução de documentos, o que lhes dá confiança de que os processos continuarão parados e prescreverão.
Aconselhava o Cardeal Mazzarino, primeiro ministro de Luís XIV, na sua obra Breviário dos Políticos, um manual da arte do cinismo e da manipulação para uso de aspirantes ou detentores do poder:
“Fala sempre com um ar de sinceridade. Faz crer que cada frase saída da tua boca vem diretamente do coração e que tua única preocupação é o bem comum…”
Não creio que Passos Coelho tenha ouvido sequer falar dessa obra, embora acredite que tem uma vaga ideia de quem foi Mazzarino. Mas que sabe usar o cinismo do cardeal como um grande mestre, lá isso sabe.
A Nietzsche, O Crepúsculo dos Deuses.
1º
Não quero, de uma vez por todas, saber muitas coisas.-A sabedoria também traça os limites ao conhecimento.
Sabedoria: saber alguma coisa muito importante entre algumas coisas.
2º
Mediante a sua natureza selvagem, o homem liberta-se da sua não natureza, da espiritualidade...
Só construindo a sua alma o homem diminuirá o poder do seu cérbro reptiliano.
3º
Como? É o homem apenas um erro de Deus? Ou é Deus unicamente um erro do homem?
O homem é apenas a conjugação do acaso e da necessidade. E Deus uma resposta ao medo dos homens face ao acaso e à necessidade.
4º
Ajuda-te a ti mesmo: em seguida, todos te ajudarão.Princípio do amor ao próximo.
O cinismo é o caminho mais curto para a solidão.
5º
Pode um burro ser trágico? - Sucumbir sob o peso que não se pode levar nem rejeitar, eis o caso do filósofo.
Mas todo o burro é trágico, como o demonstrou Robert Bresson em Peregrinação Exemplar: o seu horizonte é a morte.
( artigo publicado no semanário Grande Porto)
Um estudo feito por cientistas da universidade de Chicago, e recentemente publicado na revista Science, provou que os ratos sentem empatia entre eles.
O estudo consistiu no seguinte: colocaram-se dois ratos dentro de uma caixa de plástico transparente, fechada, mas cuja porta poderia ser aberta do interior e do exterior.Um pouco afastado da caixa colocaram um chocolate. Depois de aberta pelo interior, a porta fechava imediatamente logo que o primeiro rato saísse, deixando o outro rato fechado. O rato que conseguira sair dirigia-se ao chocolate. Mas, perante o chamamento do seu amigo enclausurado, em vez de se virar ao chocolate e o comer só ele, voltava para trás, libertava o amigo, e partilhavam ambos o chocolate que os investigadores tinham colocado à sua disposição.
Face a esta admirável lição de solidariedade entre os ratos ( pelos vistos partilhada por outros animais, nomeadamente macacos) não podemos deixar de nos lembarar das doutrinas dos economistas liberais que dominam o mundo contemporâneo, incluindo este pobre país agrícola, como dizia Salazar.
Segundo os liberais, esse comportamento solidário dos ratos, transposto para os humanos é altamente reprovável, porque antieconómico, e, quiçá, antihumano. Na verdade, seguindo o raciocínio liberal, o comportamento lógico dos ratos em situação idêntica deveria ser o seguinte:o rato que conseguiu safar-se primeiro da gaiola deveria dirigir-se ao chocolate e comê-lo todo. Só depois, e se não tivesse um pedaço de queijo que lhe cheirasse, voltaria para trás a libertar o seu colega.
Também seguindo o raciocínio liberal, adoptando este comportamento de rato economicus, daqui resultaria que, por efeito de uma mão invisível, os dois ratos acabariam por ficar bem e contribuir para o progresso geral da classe dos ratos. Mesmo que um comesse o chocolate quase todo e o outro se esganasse de fome, e ainda que tal acontecesse repetidamente, porquanto um dos ratos era mais apto que outro.
É claro que o rato mais apto, depois de abocanhar quase todo o chocolate existente, se tivesse os sentimentos de solidariedade cristã dos liberais, sempre daria uns restinhos de chocolate ao seu colega menos apto. Este ficar-lhe-ia eternamente grato, e o mais apto teria montanhas de chocolate como prémio no reino dos céus.
Mas o que os liberais querem para os humanos não o querem os ratos para eles. Preferem a solidariedade, e partilhar com os menos aptos a doce comida que lhes é dada.
E, então, falando em sentimentos e dignidade humana, só poderos concluir: os liberais colocam os humanos abaixo de ratos.
Os anos fixam-se ao céu como nuvens cor de púrpura que passaram por mim, distantes de tudo e de mim, voando devagar com a serenidade de anjos frios.
Como os anos, como as nuvens, eu tenho passado o tempo com indiferença e esquecimento, alheia a mim mesma porque igual a mim mesma, nem feliz nem infeliz, porque essas categorias da alma não têm sentido naquela que já não consegue ser outra coisa senão igual a si mesma.
Mas ontem foi o dia em que eu surgi à luz curva do mundo. E um homem que eu quase esquecera lembrou-se de mim, lembrou-me que, outrora, eu fora uma mulher diferente de mim mesma, que tivera paixões, paisagens, estados de alma.
Como estou? Por onde tenho andado? O que tenho feito?
De súbito, não lhe soube responder a estas perguntas que, há muito, eu me esquecera de fazer a mim mesma.
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HENRIQUE DÓRIA- Viagem para uma Nebulosa
"A que se reduz afinal a vida? A um momento de ternura e mais nada...De tudo o que se pasou comigo só conservo a memória intacta de dois ou três rápidos minutos. Esses sim! Teimam, reluzem lá no fundo, inebriam-me, como um pouco de água fria embacia o copo."
Não conheço mais belo livro de memórias. E creio bem que não o haverá, em parte nenhuma do mundo. Esse amor ao homem, às suas raízes, essa sensibilidade quase nevrótica, essa beleza que nos dói de tanto a amarmos, é toda a escrita de Raul Brandão. Mas nas MEMÓRIAS é o seu mundo, um mundo em mudança. Onde deixámos de crer e ainda não cremos.
Aquele mundo, o mundo de Raul Brandão, é nosso contemporâneo. Com as suas farsas, com os seus palhaços, com os seus pobres e, sobretudo, com o seu HÚMUS.
Neste mundo de simulacros, em que o próprio Satanás morreu estrangulado em ondas artezianas, o homem está a ser levado pelo poder a abdicar de si próprio. Este mundo quer transformar-nos em seres impotentes, em NEFELIBATAS.
Raul Brandão ensina-nos o único caminho para começarmos a crer: a ternura.
HENRIQUE DÓRIA- Comentários
Prestigiados analistas financeiros, nomeadamente de Ambrose Pritchard, dizem que “Pedro Passos Coelho é louvado por respeitar os compromissos de austeridade assumidos com a UE-Fmi, mas esta política apenas está a empurrar o país para uma depressão económica grave”.
Os principais acionistas dos “nossos” bancos bem sabem disto, e é por isso que exigem que o Estado os recapitalize, pois eles mesmos acreditam tanto no sucesso da política de Coelho e Portas (ele não se vê, mas está lá) que não querem meter nos SEUS bancos um só chavo dos milhões que têm em paraísos fiscais. E, assim como os detentores do Rendimento Mínimo Garantido exigem que o Estado os não deixe cair na valeta, invocando o princípio da igualdade consignado no artº 13º da Constituição os nossos banqueiros exigem do Estado que não os deixe cair na valeta. Foi, aliás, o que já fez ao Millennium e ao BPN.
Eles não conhecem, mas sabem aplicar a frase de Bertold Brecht: “ assaltar um banco nada é comparado com fundar um banco"
Por isso querem estar tão sós no seu negócio, ou melhor, bem acompanhados no seu negócio: com um Estado que lá mete o dinheiro de todos nós, mas que não meta lá o bico e saiba para onde vai esse dinheiro. Defendem-se eles: ninguém ignora que o Estado é mau gestor. E é certo que banqueiros são um exemplo de boa gestão, como ensinou, na sua notável obra, João Rendeiro. Por isso é que são ricos, e fundaram bancos, em vez de os assaltarem. Mas daí a acreditar, com Coelho e Portas, que são nossos amigos, e darão ao nosso dinheiro um destino diferente do que deram o BCP, o BPN e o BPP, perdoem-me a maldade, isso não.