blog filosófico, cultural e político
Sábado, 29 de Março de 2008
A VIAGEM E A CIDADE PERFEITA

A VIAGEM E A CIDADE PERFEITA

DE APOLÓNIO DE TIANA A SRI AUROBINDO

PROPOSTA PARA O PRÓXIMO DECÉNIO

Amargo saber, o que nos dá a viagem!

O mundo, monótono e pequeno, hoje,

Ontem, amanhã, sempre, faz-nos ver a nossa imagem,

Um oásis de horror num deserto de tédio!

 

Talvez e nenhum outro lugar se falasse do homem e da sua vida sobre a terra como nestes versos  altos e profundos de Charles Baudelaire.

Este mundo pequeno e monótono, este mundo imperfeito e de horror, pela presença constante do sofrimento e da morte, convida-nos à Viagem, para  nos superarmos a nós mesmos e  nos transformarmos e à Terra que habitamos num lugar de sabedoria, força e beleza.

Pensava Blaise Pascal, o solitário de Port Royal, que a melhor viagem que podemos efectuar é a que fazemos dentro de nós mesmos.

Porém, o homem é um ser que sofre porque não pode conceber-se a si próprio sem os outros. Daí que a viagem ao encontros dos outros seja essencial para que o homem se erga como homem.

Peregrino é aquele que viaja em busca da iluminação e da revelação, ao encontro do mestre escolhido ou da cidade perfeita. O peregrino caminha com desprendimento em relação ao presente, em busca do fim superior que o move. Com humildade e despojamento: por isso leva o bastão que o apoia e lhe proporciona a possibilidade de se superar a si mesmo, às suas próprias fraquezas, na viajem que realiza. E o capuz, que não só o protege das intempéries, mas lhe lembra permanentemente quão alto é o seu desígnio.

Houve dois homens, dois peregrinos perfeitos, dois seres justos e luminosos que aqui quero dar como guias nesta viagem: Apolónio de Tiana e Sri Aurobindo.

O primeiro assistiu à aurora da era dos peixes, aquele em que se acreditou, como em nenhuma outra antes, na vinda de um Messias, de um Salvador da Humanidade. Cristo aceitou essa condição de Messias. E também Maomé a aceitou, cerca de setecentos anos depois de Cristo.

Apolónio de Tiana chegou a ser considerado, por alguns, como Messias, condição que ele, como ser apenas humano, recusou.

Em vez de se considerar um Messias, como simples peregrino sobre a Terra viajou dentro e fora de si mesmo. Procurou ser um homem em busca da perfeição a partir do seu eu. E procurou também transformar Roma, a cidade das cidades do seu tempo, senão numa cidade perfeita, pelo menos numa cidade onde o viver não fosse um permanente sofrimento.

Sri Aurobindo assistiu ao crepúsculo da era dos peixes, ao fim trágico de todas as crenças em qualquer Salvador da Humanidade que a Segunda Grande Guerra Mundial nos trouxe.

Como Apolónio viajou não só em direcção ao eu perfeito, mas em direcção também à cidade perfeita. E esta, que ele idealizou, começou a ser construída após a sua morte pela sua companheira: chama-se Auroville. Situa-se na Índia, próximo de Pondicherry.



publicado por henrique doria às 21:39
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