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Sábado, 12 de Abril de 2008
DE APOLÓNIO DE TIANA A SRI AUROBINDO

Houve dois homens, dois peregrinos perfeitos, dois seres justos e luminosos, dois espelhos em que se deve rever todo o homem, que quero dar como guias nesta viagem: Apolónio de Tiana e Sri Aurobindo.

O primeiro assistiu à aurora da Era dos Peixes, aquele em que se acreditou, como em nenhuma outra antes, na vinda de um Messias, de um Salvador da Humanidade. Cristo aceitou essa condição de Messias. E também Maomé a aceitou, cerca de setecentos anos depois de Cristo.

Apolónio de Tiana chegou a ser considerado, por alguns, como Messias, condição que ele, como ser apenas humano, recusou.

Em vez de se considerar um Messias, como simples peregrino sobre a Terra viajou dentro e fora de si mesmo. Procurou ser um homem em busca da perfeição a partir do seu eu. E procurou também transformar Roma, a cidade das cidades do seu tempo, senão numa Cidade Perfeita, o que sabia ser impossível, pelo menos numa cidade onde o viver não fosse um permanente sofrimento.

Sri Aurobindo assistiu ao crepúsculo da Era dos Peixes, ao fim trágico de todas as crenças em qualquer Salvador da Humanidade que a Segunda Grande Guerra Mundial nos trouxe.

Como Apolónio viajou não só em direcção ao eu perfeito, mas em direcção também à Cidade Perfeita. E esta, que ele idealizou, começou a ser construída após a sua morte pela sua companheira e a UNESCO, como acima foi dito.

Apolónio de Tiana teve uma vida longa, uns noventa e quatro anos, absolutamente excepcional para o tempo. Foi cidadão do mundo, que viajou desde a Espanha até à Índia, e chegou mesmo a dirigir-se à Etiópia, para aprender com a seita gimnosofista. Agia politicamente para melhorar o mundo do seu tempo. Note-se que Cristo, o Messias, foi um judeu arreigado à sua terra, que nunca deixou a Palestina, um judeu que fugia aos conflitos com o poder político romano, que em vez de estar voltado para o Homem Divino, como Apolónio de Tiana, estava voltado para o Deus dos Judeus.

Ambos foram considerados magos e profetas no seu tempo. Mas Apolónio foi um ser bem mais humano que Cristo.

Não teve fanáticos a segui-lo para transformarem a sua pregação numa religião triunfante, para dele fazerem um Deus.

Mas a sua profunda humanidade não deixou de o transformar num ser divino.

Foi Apolónio discípulo de Pitágoras, e, como Pitágoras, considerou como seu dever comprometer-se com o governo da cidade. Apolónio procurou influenciar a Roma do seu tempo. Nasceu na cidade de Tiana, na Ásia Menor, próximo de Éfeso, cidade onde pregou o apóstolo Paulo, e onde o bispo Cirilo fez, através da corrupção e da fraude, aprovar por um Concílio o dogma da virgindade de Maria. Vemo-lo referido em algumas cartas de Paulo como um seguidor de Jesus, com o nome de Apolo. Há evidências de que conheceu Jesus, mas a sua humanidade levou-a a afastar-se de Jesus e de Paulo, ao encontro do homem cidadão do mundo e não do exilado do mundo, como os seguidores de Jesus.

            Mas fê-lo sem nunca ter deixado de viajar ao interior de si como o atesta o NUCTEMERON, a sua única obra, das inúmeras que escreveu, que chegou até nós, poupada pelo ódio do catolicismo romano que via em Apolónio um perigoso concorrente do seu Cristo, e não hesitou na calúnia, na mentira e na destruição para apagar a memória e a obra desse ser admirável que foi Apolónio. Mas mesmo essa viagem dentro de si fê-la sempre ligada ao exterior: à harmonia entre os homens, à harmonia entre os homens e a natureza, à obra feita através da iluminação, como poderemos ver nos cinco últimos estádios da ascensão do homem.

O título do livro significa: "O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas". O resplandecer nas trevas significa o desabrochar da Centelha Cósmica em cada um, o desenvolvimento da consciência luminosa do Mestre de Cada Um.



publicado por henrique doria às 01:13
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