blog filosófico, cultural e político
Sábado, 3 de Maio de 2008
PROPOSTA PARA O PRÓXIMO DECÉNIO

Com o século XXI entrámos na Era do Aquário, que é o décimo primeiro signo do Zodíaco, aproximando-se o sol do fim de uma viagem através das constelações. Se a Era de Peixes é um tempo de inconsistência, um tempo em que o homem se encontra voltado para o seu mundo interior na fronteira entre o bem e o mal, se esta Era terminou com a catástrofe purificadora da segunda grande guerra mundial, a Era de Aquário é a era da fraternidade, da solidariedade, do desprendimento dos bens materiais, da comunidade espiritual universal. É simbolizada por um velho sábio, por um Mestre Perfeito que leva consigo uma ou duas ânforas cheias, que derramam a água etérea da sabedoria para que toda a Terra dela possa beber.

Os Mestres Perfeitos que nos deverão guiar através desta Era são, para mim, Apolónio de Tiana e Sri Aurobindo.

A sabedoria de ambos ditou-me a proposta que aqui faço para que o Homem comece a cumprir com êxito a sua viagem pela Era do Aquário.

O homem actual deveria sentir vergonha de si próprio porque, apesar da riqueza criada pela civilização, apesar de a ciência e a técnica  permitirem tornar a vida num hino à alegria,  fazendo da morte uma suave viagem, o homem continua um ser antes do Homem.

Para superar este estádio pré-humano do Homem, é essencial que se lancem, já no próximo decénio, as fundações da Cidade Perfeita.

Como Auroville nos mostra, a nossa viagem para a terrena Cidade Perfeita só poderá fazer-se desde que em volta  de cada um de nós haja um Anel de Paz, e que em volta de toda a Terra se construa um Anel de Paz.

A construção do Anel de Paz deverá ser a tarefa mais urgente, porque a mais importante, da humanidade.

Temos já um sector desse círculo: a Organização das Nações Unidas.

É urgente, como o demonstram os últimos cinco anos, que esse sector circular se amplie até se transformar num círculo.

A Organização das Nações Unidas deverá transformar-se num governo sobre toda a Cidade da Terra. Um governo que, não afastando os governos das nações, construa com estes a unidade na diversidade da espécie humana.

Para isso, a ONU deverá ser dotada dos três poderes que constituem as traves mestras das sociedades modernas: o legislativo, o executivo e o judicial. E ainda um outro poder, o moderador, simbolizando a unidade das nações: um Presidente.

Para que o poder moderador funcione com uma legitimidade universal, o Presidente deverá também ser eleito por sufrágio universal.

Entendo que a Presidência das Nações Unidas deverá ficar sedeada em Portugal.

Por uma questão de justiça histórica, pois foi Portugal quem deu novos mundos ao mundo. Porque Portugal está a meio dos dois grandes mundos que são a Ásia e a América. Porque Portugal é um grande país pequeno que soube, como nenhum outro, integrar a diversidade dos homens na  sua unidade.

Porque Portugal contém em si o gérmen da Cidade Perfeita, como bem intuíram o Padre António Vieira, Fernando Pessoa e, junto de nós, Agostinho da Silva.

O poder legislativo deveria ser legitimado também através do sufrágio universal, com um sistema eleitoral que permitisse a todos os países estarem representados, e que o sufrágio universal  não fosse a legitimação do domínio das maiorias sobre as minorias.

Tal equilíbrio poderia efectuar-se através da eleição de um representante na Assembleia Geral por cada Estado. E constituindo-se círculos eleitorais em que os países mais populosos deveriam ter a sua representação limitada, de modo a que um só país não pudesse dominar a Assembleia Geral.

Tal como sucede actualmente, o poder legislativo deveria continuar sedeado nos Estados Unidos da América.

O poder executivo, com funções equilibradamente restritas, deveria ficar sedeado na  Índia.

O poder judicial, quer de carácter civil, quer de carácter penal, restrito às questões globais quer civis quer penais, a definir concretamente, deveria situar-se na África do Sul, fazendo assim a justa homenagem a um dos grandes homens do nosso tempo, Nelson Mandela.

Uma força militar ao serviço do poder executivo, comandada pelo Presidente, e controlada pelos poderes legislativo e judicial, manteria a paz universal, intervindo apenas em situações de violação grave e reiterada dos direitos humanos.

A força armada seria, assim, a guardiã da Paz.

Estes princípios deveriam plasmar-se numa Magna Carta da  Cidade Terrena, a ser aprovada por todas as nações e todos os homens.

Seria este, em breve e imperfeito esboço, o plano da Cidade Perfeita que  os Mestres Perfeitos que foram Apolónio de Tiana e Sri Aurobindo nos indicaram na sua luminosa viagem sobre a Terra.



publicado por henrique doria às 22:17
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8 comentários:
De mariazinha a 4 de Maio de 2008 às 15:09
Muito pós-moderno, naquilo que a expressão tem de melhor. Esta tua visão encaixa-se na ideia de uma sociedade em que o relativismo, o presente e o esteticismo constituem o triplo núcleo axiológico (como nos diz Gervilla), e em que a identidade será cada vez mais baseada nos valores do BEM, do VERDADEIRO e do BELO. Eu identifico-me com ela, tanto no plano social como no plano pedagógico. Se isto é ou não possível de conseguir em pleno, já não sei... Dependerá de quanto, até agora, neste planeta, germinou a podridão (roubando a expressão a Sophia)...
Bom domingo!
Beijo*


De LeniB a 4 de Maio de 2008 às 19:22
Acredito que este mundo, desde tempos imemoriais, não tem passado de um fraco esboço para a criação de uma civilização mais avançada. Quiça um Quinto Império!


De Fata Morgana a 4 de Maio de 2008 às 20:15
Os sinais de que estamos numa era da fraternidade não têm sido nada animadores.
Acho que o consumismo está ao rubro e o homem mais materialista do que nunca, mais umbiguista, também.
Apolónio de Tiana e Sri Aurobindo, onde estiverem - e certamente que estão num lugar bom, como todos os que foram bons mestres na Terra - não devem estar muito felizes com isto, parece-me a mim, porque cada vez a solidariedade é mais rara.

Auroville... desculpa, não gosto. Claro que acho uma ideia bem intencionada, percebo que seja o destino escolhido da geração de 60 e que funcione muito bem para imensa gente, mas lembra-me um bocado a base lunar Alfa do "Espaço 1999". Eu gosto do Alaska. Silêncio, solidão e natureza selvagem a perder de vista.
Prefiro o Rousseau, com "O Bom Selvagem" do que toda a ciência e tecnologia que nos tornam quase robôs.

O Anel de Paz, claro, seria uma coisa perfeita, quem me dera que aconteça! Acho que a individualidade é um valor a preservar. Cada um de nós é único e é muito importante que aceitemos o próximo, com as suas diferenças, respeitando em cada um essa individualidade mágica, que eu penso que não deve desvanecer-se em favor de um eu colectivo. Podemos ter paz sem eu colectivo, porque o que verdadeiramente importa é a tolerância e o respeito.

Quanto à distribuição dos poderes, ai... não vou comentar isso. Eu não gosto dos EUA.

Henrique, nunca concordaremos num montão de coisas, sabes?
Para começar, eu sou profundamente Cristã.

Um beijo.



De henrique doria a 4 de Maio de 2008 às 22:43
O progresso que tu conheces ( quem duvida que a classe média de hoje vive melhor do que vivia o Rei Sol?) deve-se, sobretudo, à ciência.Foi ela que derrotou tantas doenças fatais.Será ela a derrotar tantas doenças hoje fatais, e a permitir-nos uma longa vida. Não tenho medo do futuro.
Mas alguns filósofos e alguns políticos ( como estes, e outros) contribuiram também muito para um mundo melhor.


De Fata Morgana a 5 de Maio de 2008 às 00:31
Eu sei. Não sou contra o progresso nem contra a ciência. Mas acho é que ambos têm - como tudo! - o lado bom e o lado mau. Não sou mesmo nada cega ao lado mau. Nem ao bom.

A ciência e o progresso já derrotaram muitas doenças, eu que o diga, pois nem sequer existiaria se não fosse isso: a minha mãe curou-se de uma tuberculose... mas a irmã mais velha morreu porque a estreptomicina ainda era experimental...

Porém, a mesma ciência, o mesmo progresso, deram origem a doenças novas, que dantes não existiam. Áviários, substâncias "fabulosas" em iogurtes, e outras maravilhas semelhantes, fazem-nos adoecer com coisas que dantes não existiam. Há vírus mutantes e bactérias "inteligentes" que aprendem a enganar os antibioticos.
Há gente com problemas sérios nos polegares por causa do uso e abuso dos "ratos" no computador - isto é verdade, já trabalhei numa clínica de fisioterapia.

Pequenos exemplos. Há-os piores.

A ciência e o progresso vão ter muito que se ocupar com as doenças que criaram, sem querer, era inevitável. Se fosse uma questão de acabar com um catálogo das doenças existentes era bom, mas não é assim. Se queres a minha opinião, as coisas mudam muito mas os problemas fundamentais só mudam de cara.

E não sou tão optimista como tu em relação ao futuro. Não vejo uma classe política competente, que esqueça as tricas pessoais e a fogueira das vaidades.

Não vejo a rua com menos gente - até crianças e velhos - sem abrigo, nem a toxicodependência a diminuir. Não vejo que haja paz, pão, habitação, saúde e educação (como canta o Sérgio Godinho, e muito bem) para todos.

A classe média não vive melhor que o rei sol. Mas também não gosto do rei sol, nem de Versalhes - monumento ao mau gosto e ostentação balofas.
Bolas, a classe média é que paga as sucessivas crises! Os ricos não as sentem; os pobres podem andar de pantufas e bata, além de que são os mais organizados, com cada um a meter um ordenadito em casa junta-se tudo e vão-se safando...
A classe média tem de fazer equilibrismo no fio da navalha, sustentar aparências, e cada vez tem menos com o que prover aos custos básicos fundamentais. Não pode calçar uns sapatos mais esfolados, nem um par de calças ou uma saia remendada, pois se não tem "um certo ar", lá se vai o emprego!

Isto é verdade.


De KLATUU o embuçado a 5 de Maio de 2008 às 09:42
Sieg Heil!


De henrique doria a 6 de Maio de 2008 às 08:11
Sieg heidiota!


De KLATUU o embuçado a 6 de Maio de 2008 às 21:06
O idiota és tu, mas pior que seres idiota, é emprenhares pelos ouvidos, ou pelos olhos...

«Sieg heil! » ou «Apanhar tomates!» tem igual valor quando tudo se descontextualiza. Ou seja, o gajo - eu - que escreveu a expressão acima é, não por acaso, um monárquico parlamentarista e um anti-nazi... Não por acaso também, há no meu blog um post recente intitulado «RUNAS» que o demonstra inequivocamente.

Quando te apetecer comentar noutros blogs... lembra-te de levar um cérebro.


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