blog filosófico, cultural e político
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
TENTANDO INTERPRETAR DANTE

Não sou, nem de longe nem de perto, especialista em Dante.Mas sendo Dante, para mim, o maior poeta, não deixo de ser seu leitor apaixonado e de tentar interpretar a sua mensagem.

É sabido que Dante é um poeta esotérico.A sua ligação  à Ordem do Templo é também conhecida, e não é sem razão que São Bernardo, e não já Beatriz, é a sua companhia no décimo céu, no final da Divina Comédia: S. Bernardo que foi o verdadeiro criador da Ordem do Templo ao dar-lhe os seus estatutos e divulgá-la por todo o mundo católico.

Dante foi um dos mestres da ordem secreta Fede Santa, cujos membros se intitulavam Fedele d`Amore. A ordem Fede Santa era uma "Terceira Ordem", grau superior na filiação templária. Dante era um irmão FIEL DO AMOR. O amor é, assim, em Dante, a roda que move o mundo para o bem, para a luz, para a felicidade eterna.

É sob este prisma que deverão ser entendidos os versos finais da Divina Comédia:

 

A l´alta fantasia qui mancò possa;

ma già volvega il mio disio e´l velle

sí come rota ch´igualmente è mossa,

l´amor che move il sole e l´altre stelle"

 

Proponho para estes versos a seguinte tradução, em alternativa às duas mais conhecidas da língua portuguesa, a de Vasco Graça Moura e a de Cristiano Martins:

 

"Era a alta fantasia aqui perdida;

mas já erguia o meu desejo as velas,

e como roda por igual movida,

o amor que move o sol e as estrelas."

 

Cristiano Martins entende a palavra amor como  referindo-se a Deus. E, por isso, na sua excelente tradução a palavra amor surge com letra maíuscula, o que não corresponde ao original. Graça Moura parece entender esse amor como amor humano. E por isso mantém a letra minúscula do original. Mas a sua versão esquece o esotérico em Dante. É esse amor esotérico que pretendo realçar nesta tradução, pois me parece o que mais está de acordo com o poema e a condição de Fiel do Amor, cavaleiro Kadosch, isto é, consagrado, que foi Dante.



publicado por henrique doria às 13:31
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3 comentários:
De ACCB a 2 de Dezembro de 2008 às 00:46
Não sei porquê li e reli e tenho de comprar a Divna Comédia


De dina maria marques a 6 de Dezembro de 2008 às 03:48
Mais do que um homem, um poeta. Mais do que um poeta, uma obra. Que ao longo de 7 séculos inspirou e continua a inspirar outros poetas, pintores, músicos, escultores....
para muitos, o maior poeta que a Humanidade já conheceu.
Valeu a pena lembrar Henrique.
Como sempre, vale a pena vir aqui visita-lo.
Aqui ou nos Aliados, um café e o Inferno, o Purgatório e o Paraíso para tema de conversa. Boa ideia não acha?
Um imenso abraço. Todo o carinho do Mundo.


De Psykhe a 6 de Dezembro de 2008 às 17:53
Um livro de leitura obrigatória.
Post interessante
“Consider your origins: you were not made to live as brutes, but to follow virtue and knowledge"


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