blog filosófico, cultural e político
Domingo, 14 de Junho de 2009
A VIDA É UM JOGO DE CRIANÇAS DISTRAÍDAS

Lucio Fontana-Luciano Fabro

 

Pela primeira vez me encontrei só, numa capela mortuária, a velar um morto amado.Ali ao lado, a Igreja, o cemitério  e as vozes agitadas da manhã de Primavera.

Dentro da capela, a paz sofrida junto da morta amada faz-me perceber melhor quanto a vida é um jogo de crianças distraídas que acaba entre flores e lágrimas.

Conseguiríamos nós suportá-la sem a ajuda de uma religião salvífica se assim não fosse?

Creio que não.

Mas a  esperança de salvação eterna destrói-se a ela própria perante a presença constantemente repetida da morte e do sofrimento, em todos os lugares.

E, depois, os que nos prometem a salvação tudo fazem para parecerem os primeiros a não acreditar nela.

Por exemplo, o padre desta igreja que não podia rezar a missa de corpo presente porque não tinha tempo para isso, teve necessidade de mostrar o seu poder impedindo um sobrinho meu, que frequenta o último ano do seminário e faz a celebração como a Igreja lho permite, de fazer essa celebração.

Segundo esse padre, quem mandava na sua igreja era ele. Por isso, ali, só ele celebrava.

Certamente que este padre não acredita na salvação.

Estava apenas a jogar o jogo de criança distraída.

 

HNERIQUE DÓRIA-Fragmentos



publicado por henrique doria às 12:12
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4 comentários:
De dina maria marques a 14 de Junho de 2009 às 15:48
.... as crianças distraídas são inocentes, não são prepotentes.

Lamento a tua perda.

Um beijo para ti.


De redonda a 15 de Junho de 2009 às 12:03
Não sei se já terei passado por aqui, vou ler um pouco mais para tentar lembrar-me.
E como não sei o que dizer vou transcrever para aqui as palavras de um sermão que me ajudou um pouco.



O Quarto Ao Lado

A morte não é nada ... Eu apenas fui para o quarto ao lado. Eu sou eu, e tu és tu. Seja o que for que tenhamos sido um para o outro continuamos a ser
Chama me pelo meu nome de sempre, conversa comigo da forma espontânea que sempre usaste.
Não uses um tom diferente, não faças um ar forçado de solenidade ou mágoa.
Ri como sempre rimos das pequenas brincadeiras que nos divertiam aos dois.
Brinca … ri … pensa em mim … reza por mim.
Deixa o meu nome continuar a ser o nome familiar que sempre foi, deixa-o ser falado sem ênfase, sem qualquer sombra.
A vida tem todo o significado que sempre teve. É a mesma que sempre foi
Não houve nenhuma quebra de continuidade.
O que é a morte além de um pequeno acidente?
Porque deveria ficar fora do teu coração só porque estou fora da tua vista? Eu estou à tua espera, este é só um intervalo.
Algures muito próximo, logo a seguir à esquina.
Está tudo bem.
.
De um Sermão feito pelo Canon Henry Scott Holland no Domingo de Ramos de 1910





De dina maria marques a 19 de Junho de 2009 às 02:58
"Porque deveria ficar fora do teu coração só porque estou fora da tua vista? Eu estou à tua espera, este é só um intervalo.
Algures muito próximo, logo a seguir à esquina.
Está tudo bem."

Li e voltei a ler. É verdade. Está tudo bem!!!

Uma bela escolha da Redonda a completar e a complementar as palavras do Henrique...


De ACCB a 17 de Junho de 2009 às 14:18
Gosto do titulo....não gosto do gosto :-)

Sabe-me a mágoa e a perda. Uma tristeza funda de ausências....
Não se distriai Henrique, nem com esse padre distraído.
Mas sabe? É bom estar distraído, as coisas acontecem com mais naturalidade , com mais verdade, ....com mais serenidade....
Esse padre não é distraído,... é atento em demasia...Não vai saborear a vIda....


Quanto ao mais ,gostei de o ler. Só não gostei do gosto :-)


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