blog filosófico, cultural e político
Terça-feira, 26 de Abril de 2011
IMAGINAR ABRIL

 

A banalidade dos discursos dos presidentes da República posteriores ao 25 de Abril trouxe-me à memória a belíssima frase de Maio de 1968: a imaginação ao poder!

O que os senhores presidentes mostraram foi tudo menos imaginação, ficando-se todos por frases e propostas estafadas e que já demonstraram os seus maus resultados. O que nos disseram todos foi que o que era bom para Portugal era um bloco central. Como se o perpetuar a mesma política já seguida pelos dois partidos que foram as principais causas  do estado em que o país se encontra, somando os dois poderes partidários, fosse a solução.

Infelizmente, à esquerda, o que existe demonstra não servir para resolver o problema mas, sobretudo, para impedir uma solução alternativa.

O PC e o BE encontramse amarrados à missão salvífica que continuam a atribuir à por eles chamada classe operária.

Não é uma conceção política. É uma conceção religiosa porque atribui a um grupo, a uma igreja, e, antes de tudo ao chefe desse grupo, a missão de salvar a humonidade. A classe operária, Marx e Lenine os salvadores da humanidade.

Na base dessa concepção salvífica está a concepção (erradamente) atribuída a Rousseau de que os homens nascem bons e é a sociedade que os perverte, no caso presente, a sociedade capitalista.

Ora os homens não são bons nem maus, porque são similtâneamente bons e maus. E não é um operário por ser operário que é melhor que um capitalista por ser capitalista. Quanto ex-operários não viraram os piores capitalistas! E quantos capitalistas não teem uma elevada consciência social!

Antes de mais desconfiemos do poder, qualquer poder, porque o poder pode facilmente transformar os homens para pior.

Se queres conhecer o vilão é pôr-lhe o poder na mão.

Depois dessa certeza que nos obriga a desconfiar de nós mesmos quando pretendemos o poder, desconfiança essa sem a qual todas as boas ideias  soçobram, quais os princípios que deve nortear qualquer homem livre e de bom caráter?

O primeiro deles é, sem dúvida, a liberdade. Sem ela nada mais tem sentido. Um escravo bem alimentado não é por ser bem alimentado que deixa de ser escravo- isto é, uma coisa e não um homem.

O segundo princípio é o da justiça. Que não é exatamente a igualdade mas sim algo que  poderia resumir nesta fórmula: de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo a sua entrega aos outros.

É óbvio que estes princípios conjugados conduzem ao tratamento desigual do desigual. E isso significa que quem entregou mais à sociedade, esforçando-se, trabalhando, criando, arriscando para a comunidade deverá receber mais do que os que não se esforçam, não trabalham, não criam, não arriscam em benefício dos outros.

Como nisso somos todos diferentes, e essas diferenças são inultrapassáveis, as retribuições também deverão ser diferentes, embora sempre de acordo com esses princípios.

Mas é óbvio que o princípio da justiça não deve levar-nos a desigualdades extremas que destruiriam esse princípio: as desiguldades para serem justas devem ser limitadas.

E essa limitação deve ser balisada pelo seguinte princípio: as desigualdades só deverão existir enquanto servirem melhor que a igualdade para aumentar a retribuição da metade que recebe menos do rendimento global.

 



publicado por henrique doria às 23:07
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1 comentário:
De Sun Iou Miou a 28 de Abril de 2011 às 07:21
"Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca sairá um escravo."

MÁRIO CESARINY

Um abraço


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