blog filosófico, cultural e político
Sábado, 15 de Outubro de 2011
IMPERDOÁVEL: ELES SABEM O QUE FAZEM

                       

Estamos a assistir ao maior atentado ao estado de direito levado a cabo em Portugal depois do 25 de Abril e, em simultâneo, a uma monstruosa manipulação da informação levada a cabo pelos poderes político e económico.

Argumentando com num suposto desvio colossal do défice das finanças públicas veio o governo anunciar o corte dos subsídios de férias e de Natal na função pública para os anos de 2012 e 2013.

Para além da falsidade da justificação da medida, não só porque Passos Coelho e a TRALHA que o rodeia tinham participado na elaboração do orçamento para 2011, mas também porque o ministro da finanças era um dos administradores de topo do Banco de Portugal, um facto ressalta aos olhos de todos: então só a função público é que é afetada? E porque o não são afetados os trabalhadores do setor privado, incorrendo o governo no risco de ver declarada inconstitucional a lei do orçamento por flagrante violação do princípio da igualdade?

Sobre isso o primeiro ministro na sua trágico-cínica comunicação ao país nada disse, nem o disseram os seus ministros.

Mas disse-o um dos doutores em economia que pululam nas nossas universidades (e muitos passam destas para o governo, e do governo para os grandes negócios), um tipo que dá pelo nome de JOÃO MIRANDA, no seu blog BLASFÉMIAS. Escreveu esse GÉNIO que não conseguiu conter-se e revelou o jogo do governo no dito blog, sob o título A MÃE DAS REFORMAS ESTRUTURAIS:

 

Não faz grande sentido pedir reformas estruturais no dia a seguir ao governo anunciar um corte de 15% nos salários da Função Pública (que se soma a um corte de 5% a 10%). O corte de salários da Função Pública é a grande reforma estrutural. A partir do momento em que os lugares na Função Pública deixam de ser os mais bem pagos, tudo se simplifica. Os institutos extinguem-se por si. As escolhas tornam-se óbvias. As resistências à mudança desaparecem. Pensem nisto: se a RTP for privatizada os funcionários passam a receber 13º e 14º mês. Revolucionário. O problema vai colocar-se ao contrário: como captar quadros para a Função Pública? Como suprir os serviços essenciais do Estado de gente competente? Que serviços essenciais o Estado deve prestar? A escassez de quadros e de recursos tornará a resposta a estas perguntas tão óbvia que não haverá sequer discussão.

 

            Disse, mas ainda não disse tudo. O que ele não disse foi que através desta medida o governo pretende:

            1º Criar uma marxista “exército industrial de reserva”, isto é, transformar a classe média que depende da função pública e é competente num exército de desesperados que aceita vender a suas capacidades a qualquer preço ao setor privado.

            2º Promover uma colossal transferência de riqueza para os mais poderosos na execução da estratégia que já apelidei neste blog de A CONSPIRAÇÃO DOS ESCROQUES.

            3º Desistir definitivamente da qualificação dos nossos TRABALHADORES e PATRÕES e na investigação científica e tecnológica como motores do nosso desenvolvimento.

            Que assim é, e que esta medida não é ditada por um imperativo de pagamento imediato da dívida e de redução do défice do Estado provam-no vários factos:

a)     O Banco de Portugal poderia vender parte das reservas de ouro que detém no valor de cerca de 15 mil milhões de euros e entregar os dividendos ao governo para acudir ao pagamento da dívida a um prazo inferior a três anos.

b)     O governo poderia criminalizar com penas draconianas a transferência de dinheiro para paraísos fiscais publicando em simultâneo uma amnistia para os que fizessem regressar ao país o dinheiro colocado em paraísos fiscais e off-shores.

c)      O governo poderia criminalizar a sub e a sobrefaturação, uma das causas da falta de liquidez dos nosso bancos e da impossibilidade de financiarem a economia.

d)     O governo continua a gastar milhões em negociatas com os privados, como o prova o facto de a rubrica orçamental de AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS, através da qual se fazem essas negociatas, ter aumentado 42,7% em Julho, e 33,7 % em Agosto.

e)     E, até, em medidas menores, mas exemplares, como a do honesto ministro da educação que aumentou de 80 para 85 mil euros por turma o financiamento dos colégios privados com contrato de associação onde estudam os meninos mais ou menos ricos.

Perante isto, o que diz o PS?

Generalidades inúteis ou, como aconteceu nesta sexta num debate entre o incontornável ÂNGELO CORREIA o genial FRANCISCO ASSIS, este falou das eleições no PS francês como acontecimento mais importante da semana.

POBRE POVO!



publicado por henrique doria às 09:13
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