blog filosófico, cultural e político
Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
OS CAVALEIROS DO AMOR II

 

Este é o caminho. Mas o seu percurso fica para nós aberto à descoberta do segredo.

Temos apenas marcas. Lojas? Sabemos da ligação de Bruno à Maçonaria. Sabemos que esta se funda no segredo e no simbolismo. Assim, os nomes “revelados” na obra são os elos da cadeia de união formada pelos “Cavaleiros do Amor”. O primeiro deles, o grande Dante Alighieri, um dos membros da ordem dos “Fedeli d’ Amore”, a  associação “Fede Santa”, de que Dante foi um dos dirigentes. Depois, Bruno revela ser “Cavaleiro do Amor “ o grande Camões e, ainda, Fernão Álvares do Oriente,  Manuel Faria de Sousa, e muitos outros, entre eles o nosso rei Dinis que recusou perseguir os templários, e transformou a Ordem, dando-lhe  apenas o nome de Ordem de Cristo.

 A "Fede Santa" era, sem dúvida uma ordem iniciática que escondia sob o véu de movimento de cultores das belas letras e artes - sob versos estranhos e simbólicos - o seu caráter iniciático. O segredo da Ordem justificava-se quer porque a Verdade é esotérica, quer porque os "Fedeli" tinham de se esconder para fugirem às perseguições da Roma católica que já aniquilara os gnósticos albigenses e, depois, os heterodoxos Templários.

Para Bruno eles “ São os fiéis, não do amor, mas do contrário de Roma. Os fiéis-do-Amor são os infiéis-de-Roma. Os que são pelo Amor são contra Roma"

Eis-nos chegados ao centro do pensamento de Sampaio Bruno.

Ao contrário do que alguns prosélitos da igreja de Roma, nunca Sampaio Bruno acreditou no Deus do credo católico, nesse "...Deus pai, Senhor todo poderoso, criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis...."

Mas não acreditava também no Deus de uma qualquer outra religião. E, no entanto, Sampaio Bruno era um homem profundamente religioso.

Qual era a sua religião? O Homem.

Para Sampaio Bruno todo o homem era um templo, e o altar desse templo, o coração, o lugar do Amor. O Amor, fonte de verdade, de bem e de vida, elo da cadeia de união entre os homens, no dizer de Dante Alighieri, o Fiel do Amor, sempre presente no pensamento de Sampaio Bruno, que citava o belo poema de Boécio, em A Consolação da Filosofia:

Feliz a raça dos homens

se as almas deles, pelo amor

que rege os céus, forem regidas.

Dante A Divina Comédia

E, também no dizer de outro Fiel do Amor, Luís Vaz de Camões:

Ó vós, q´Amor obriga a ser sujeitos

A diversas vontades, quando lerdes

N´um breve livro, casos tão diversos,

Verdades puras, e não defeitos;

Entendei que, segundo Amor tiverdes,

Tereis o entendimento dos meus verso.

Camões – Os Lusíadas

Amor, diz-nos Sampaio Bruno, é anti-Roma. Para Bruno, a Igreja de Roma era o contrário do Amor. Roma era fonte de Mentira, de Mal e de Morte, 
como o demonstra a história da Igreja Católica ao longo dos séculos, desde que se aliou ao poder temporal. Estava presente no pensamento de Bruno, como no do albigense DanteAlighieri, os crimes da cruzada contra os albigenses, o cerco da cidade provençal de Béziers onde, num só dia,  as tropas do papa Inocêncio III chacinaram todos os habitantes da cidade, em número de cerca de 20.000, um número que, extrapolando a população da França de então para a de hoje, daria um número de cerca de 200.000 mortos, num só dia. Como  estava sempre presente no seu pensamento a tenebrosa Inquisição, a que Roma chamava, (cinismo brutal) de Santa, nascida na cruzada contra os Albigenses e universalizada nos anos de 1500, os anos em que viveu Camões.



publicado por henrique doria às 23:30
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3 comentários:
De excessiva a 19 de Novembro de 2011 às 15:11
1º: Partilho com Sampaio Bruno a religião que sacraliza o amor de que o Homem é capaz; amar é o sentida da minha vida. Só essa posso considerar como uma espécie de religião pois só a ele presto culto.
2º: Também partilho o horror às religiões todas mas particularmente àquela que tanto tolheu o nosso espírito e castigou o nosso corpo. A inquisição esteve 300 anos em Portugal e estive, um dia destes, a reavivar o desprezo ofendido que lhe voto, através de uma revisitação aos instrumentos e às práticas de tortura que tão santamente utilizava contra o mal da liberdade.

Bom texto. Estudei-o na faculdade. ;)


De excessiva a 19 de Novembro de 2011 às 15:12
Ahh... já agora, convido-te a dizer o que pensas sobre os meus textos acerca do amor. :)


De lolacanosa a 27 de Novembro de 2011 às 22:45
Gostei muito.
Concordo totalmente com o pensamento de Sampaio Bruno. Eu tenho essa mesma religião e essa mesma opinião da igreja católica. Muitas vezes vemos reflectidos sentimentos, pensamentos e mesmo ideias próprios por azar, numa leitura, num discurso. Penso que isso demonstra que, em realidade, somos uma soa mente. Todos estamos interconectados e formamos parte do mesmo todo. Como numa orquestra . Um violino reconhece-se no outro violino, porque os dous tocam a mesma partitura e, ademais, tem o timbre próprio do instrumento.
Os fagotes reconhecem nos fagotes e os trombões nos companheiros. Assim, todos juntos, imos tocando a sinfonia da vida, a história e o amor agrupados por ressonância, frequência vibratória.


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