blog filosófico, cultural e político
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
EUROPA, OU A NAVE DOS LOUCOS

 

A União Europeia nasceu da necessidade de preservar a paz alcançada com o fim

da segunda das guerras ditas mundiais que foram, no entanto, sobretudo europeias.
Mas cedo os europeus, em particular os franceses e alemães, perceberam que, no
contexto mundial, o seu poder económico estaria a enfraquecer, pelo que os
desígnios económico e social, a par do desígnio cultural, passaram a ser a
essência da Comunidade Económica Europeia, depois transformada em União
Europeia.

Procurando alcançar a estabilidade financeira, considerada como condição do

progresso económico, o Tratado de Maastricht erigiu a inflação e o défice público

como os grandes inimigos da estabilidade financeira, e a moeda única como

instrumento essencial para os combater. Acreditando em simulacros como os

mercados e a concorrência, a fé liberal sobrepôs-se à democracia, a partir dos anos

80, afirmando que da ausência de inflação e de défices públicos adviriam grandes
ganhos em termos de eficiência, produtividade e competitividade.

O caminho passou a ser então uma redução drástica das funções do Estado, que

se pretendiam reduzidas às funções de polícia, como estava a acontecer nos EUA.
Consequência dessa redução das funções do Estado foi a transformação do
capitalismo de capitalismo económico em capitalismo financeiro. E como a
realidade tem demonstrado, o predomínio do capital financeiro tem conduzido a
uma rápida desindustrialização e a graves défices comerciais suportados com
empréstimos.

Optando pela redução dos impostos, a União Europeia não percebeu que isso irá

conduzir a uma degenerescência das infraestruturas essenciais ao crescimento da
economia- estradas, caminhos de ferro, pontes, portos, aeroportos, sistemas de
abastecimento de água e esgotos, como aconteceu na América.

Não percebeu que o êxito económico da China está na subordinação do capital
financeiro aos objetivos do capital económico, e na modernização acelerada das
daquelas infraestruturas essenciais ao desenvolvimento, muito mais que na
utilização de uma mão de obra quase escrava.

Infelizmente os líderes europeus recusam-se ler a obra de TIM HARFORD, 

O ECONOMISTA DISFARÇADO, obra onde são patentes as causas do
declínio do império americano e da ascensão do império chinês, e continuam

o desinvestimento em modernas infraestruturas, na agricultura e na indústria

dentro do espaço europeu,destruindo a economia e a coesão social dos países do

sul, política esta que conduzirá, necessariamente, à catástrofe, como o próprio FMI já

percebeu.

Num último delírio, a UE foi agora ao ponto de ilegalizar, nas suas leis
constitucionais ou para-constitucionais, o keynesianismo, precisamente a
doutrina económica que permitiu salvar a América da Grande Depressão de 1929

em que a lançaram as doutrinas liberais.

Ilegalizado como se ilegaliza um partido político ou uma confissão religiosa.

A Europa está hoje transformada numa nave dos loucos, comandada por uma
ex-comunista convertida ao liberalismo, navegando vertiginosamente em direção
ao abismo do Mar Tenebroso.



publicado por henrique doria às 10:23
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1 comentário:
De Marta M a 11 de Fevereiro de 2012 às 10:42
Bom Dia
Ler este teu post logo de manhã, retira a vontade de começar um dia que será muito cheio...
O Liberalismo irresponsável de muitos e a falta de um horizonte comum e de futuro entre os que nos des ) governam é assustador , tens razão.
Precisamos que se recomece...
Mas quem?
Um abraço
Marta M


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