blog filosófico, cultural e político
Sexta-feira, 9 de Março de 2012
A CLASSE POLÍTICA E A NAÇÃO
 
(artigo publicado no GRANDE PORTO de 9/3)
 
A classe política que governa este malfadado Portugal, usando as palavras de D. Pedro IV, é um caso dramático de arrogância que só tem paralelo na sua ignorância, e de fé que só tem paralelo na sua má fé. Um secretário de estado de apelido Moedas fez num conhecido semanário uma sessão de propaganda, escrevendo:

1º Os país está no caminho do sucesso, pois o défice estrutural foi reduzido em 4 pontos percentuais do PIB.

Esse mesmo rapaz, ainda há uns meses, no seu palco diário nas televisões, verberava o governo Sócrates por diminuir o défice à custa da engenharia financeira. Mas agora que o seu baixou o défice através da fraude da transferência do fundo de pensões dos bancários para o Estado, transferência que será um fardo maior para as futuras gerações do que as parcerias público-privadas, agora a fraude transformou-se em virtude e o fardo em sucesso. E mais disse: 2º O governo tem feito reformas que trazem competitividade às empresas, condições de investimento e criação de postos de trabalho. Não vimos nada disso, mas só diminuição dos salários, precarização dramática do trabalho, desemprego galopante.

É certo que conseguiu baixar os custos do trabalho, instalar o sofrimento e o medo nos trabalhadores e nas classes médias. Mas se pensa que com isso o país ganhou competitividade está enganado. Este governo ainda está longe de conseguir os horários de trabalho escravo e os baixos salários que ainda têm os chineses. Seria necessário uma baixa dos salários em 50% e 10 horas de trabalho diárias para chegar ao nível dos chineses. E mesmo isso não seria suficiente, porque os chineses têm um investimento em capital físico, uma qualificação dos recursos humanos, tecnologia, nível educacional e uma organização e capacidade de gestão superiores aos nossos.

Mas a desgovernação destes rapazes não seria possível sem o apoio de respeitáveis senhores. Um deles é António Nogueira Leite. Não foi por acaso que, ao lado do secretário Moedas, este senhor escrevia sobre as virtudes do governo mínimo dos chilenos, dizendo que é este governo mínimo e um baixo endividamento público que tem trazido ao Chile taxas de crescimento do PIB de 5%, nos últimos 10 anos. Bem sabe que isso é falso, e a sua fé no Estado mínimo é pura má fé. Bem sabe que a economia chilena se baseia nas exportações de cobre, que representa 40% dessas exportações. E que o preço do cobre mais que triplicou no mercado mundial nos últimos 10 anos. E que o resto das exportações do Chile é constituído por lítio, ferro, zinco, ouro, prata, cuja subida de preços é desnecessário referir.

Dada o aumento dos preços das exportações chilenas, tudo o que fosse um crescimento inferior a 10% ao ano seria mau desempenho. Não temos fé de que com uma maior intervenção do Estado no Chile as coisas correriam, de certeza, muito melhor. Também aí poderia haver submarinos, parcerias público-privadas, BPN e Madeiras.

Mas temos a certeza que uma governação honesta, capaz e mais intervencionista na economia conduziria o Chile, ou Portugal, tal como sucede nos países nórdicos, a um muito maior e sustentado crescimento da economia.





publicado por henrique doria às 22:24
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