blog filosófico, cultural e político
Sábado, 9 de Novembro de 2013
GLÓRIA

Corri sobre as águas com meus pés de basilisco

Entre o mirto selvagem e o hibisco

Fugi do meu rosto retalhado

Onde morava o belo inferno - eu

Queria ser célebre escrito com a mão direita.

Infantíl Lúcifer és ridículo

A dizer-me eu sou a vida

A cingir-me com teu azevinho

Quando no final o que está em cima é igual

Ao que está em baixo

Ambos me cingem com as suas cinzas

Morais. Mas onde está a moral

Da morte?

No céu com o seu riso farsista

Na Via Láctea?

Semeio areia dilacero-me a face

Com a faca mais fina

Pensando assim instruir-me no culto dos mortos

Porque moro no Ocidente.

Ridícula ilusão é esta invenção da arte.

Os profetas da beleza que inventaram a virgem perpétua

Hão-de afundar-se no escuro

Dentro duma caixa de madeira enfeitada

Enquanto os seus escalpes cantam pelos céus

E espalham o sangue dos seus tinteiros

Pensando aspergir-nos com água sagrada.

Os profetas que fiam com rios

Teias de orvalho amarelecidas. 

Mas a destruição  pelo fio infame da espada

E as muralhas cobertas com a pele dos guerreiros

Irão ser-lhe fatais.

O tempo cobrirá toda a glória

Com um mar de mármore.

E, no entanto, há o corpo.

Sim sim o corpo com o movimento do pêndulo

Sobre o outro corpo na clareira lá onde as árvores

Deram lugar à sede cheia de ondas de silêncio

O corpo em volta

O sino em volta

A nora em volta

Contínuos devorando a noite

Fendendo a água em júbilo

O corpo cintilante melodia

Orifício cantante chave do sol

Contra a passagem das horas

O corpo com a lua da alma dentro

E conchinhas róseas pedacinhos de ossos

No seu fundo-

E eu aqui a levantar a toalha do mar

Por um vértice

Eu criança junto ao barco

Na baía entre os mágnificos promontórios de cal

E o cão maior vigiando a minha severa inocência.

 

Sim sim o corpo com seus pés sangrando

O corpo contra o muro e o negro de fumo.

Debaixo dos pés a serpente angustiada

Labirinto errante de que Deus e o Demónio são a magestade

Falsários ensinando que dois e dois são quatro

Enquanto nos cortam o sexo com os acerados aços

Dizendo que é perfeito o terceiro número do céu.

 

Das asas da fénix voam labaredas

Sobre as árvores sobre o deserto sobre o Evereste

Sobre as casas de cinza

Onde à meia noite estaremos sempre

Mais sós.

Não nos deixam sonhar deitados 

Sobre  a nossa infância.

Ah amada - as asas da fénix são de jade

Talhado no fogo da serpente

Asas laceradas pelo sopro divino

Asas que espalham sangue sobre a minha pele

Asas de bichos da seda

Sábias a nascer do nada

Eróticas rosas saindo do incenso

Fio de sal puríssimo unindo estrela e estrela

Amor perpétuo nascido do supremo sol

Alimentando a vida até ao fim do mundo.

 

 



publicado por henrique doria às 12:00
link do post | comentar | favorito
|

1 comentário:
De Glaucia Olinger a 29 de Novembro de 2014 às 15:39
Gosto tanto do Glória que já decorei


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Junho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

12
13
15
16

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

CORREM EM MIM TRÊS RIOS

EM MEMÓRIA E LOUVOR DE AL...

OLHO PARA MIM

FRAGMENTO

VIESTE AVE DE FOGO

NADA É ETERNO

VEM

O AMOR

CANTA CORAÇÃO CANTA

MULHER -LEITO PEQUENO

arquivos

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Outubro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Abril 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

blogs SAPO
subscrever feeds