blog filosófico, cultural e político
Quarta-feira, 14 de Abril de 2004
FRANCISCO DE ASSIS, por AGOSTINHO DA SILVA
"Como uma vaga que se espraia, os infiéis haviam penetrado nas terras cristãs...havia que mandar para junto dos infiéis homens que pregassem a doutrina de Cristo e lhes demonstrassem a superioridade da sua fé, pela palavra e pelo exemplo;se chegassem como amigos cordiais e diligentes, a um tempo com firmeza e afecto, decerto os escutariam os árabes, lhes atenderiam os argumentos, finalmente se haviam de render ao que era evidência pura;era natural que se defendessem de quem os atacava, que pagassem o mal com o mal, que respondessem à brutalidade com a brutalidade e ao ódio com o ódio; bem diferente seria a sua atitude de quem lhes aparecesse sem armas, em missão toda de paz, de amor, de evangélico desejo de os salvar do erro em que viviam.

AGOSTINHO DA SILVA, "Vida de Francisco de Assis"


publicado por henrique doria às 08:03
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O Iraque ou o Estertor do Imperialismo Ocidental
É correcta a afirmação de que o triste episódio do Iraque é mais uma manifestação do imperialismo americano. Mas a realidade é muito mais complexa que isso.
O facto de a América se ter metido numa aventura que só poderia desembocar naquilo que agora é evidente - o triunfo, no Iraque, do fundamentalismo islâmico, em termos idênticos ao que sucede no Irão- demonstra não só a total falta de capacidade de liderança de um presidente ( Bush) como a cegueira histórica do povo que o elegeu.
Mas demonstra ainda aquilo que é evidente desde os anos quarenta, mas que os ocidentais se recusam a ver: o declínio do Ocidente.
Recordemo-nos que, em 1945, o Ocidente era senhor do Japão, mandava na China, colonisava a Indochina, a Indonésia, a Índia, o Paquistão, o Iraque, a Palestina.
Hoje, para além dos títeres sem relevância histórica que pode escolher, por exemplo, no Paquistão, e do enclave ocidental que é Israel, o Ocidente perdeu o domínio que tinha na mais vasta e mais populosa parcela do planeta- a Ásia.
O Iraque é o estertor dessa perda, que servirá apenas para acelerar a queda, e acicatar os ânimos dos muçulmanos contra o Ocidente imperial e materialista.
E fazer surgir o poder do futuro, que será o poder económico ( e militar?) do Oriente amarelo.
O gigante chinês olha com paciência e sorrindo os erros históricos de uma América ignorante e arrogante.
Paciência de chinês que sabe que pode esperar tranquilo, porque está a chegar o fim do poderio do incompetente, currupto e aldrabão Bush e dos seus acólitos.
E que agora é a sua vez, uma outra vez que há séculos espera.

HENRIQUE PRIOR


publicado por henrique doria às 00:45
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Sábado, 10 de Abril de 2004
A ÚLTIMA CEIA


Mesmo depois de morto o avô ela continuava a viver com ele como se a catástrofe da morte não tivesse acontecido. Fazia-lhe a comida, falava-lhe, falava do seu trabalho às outras pessoas. E nós colaborávamos para que permanecesse essa ilusão, não só porque evitávamos assim o seu sofrimento, mas porque também para nós era difícil acreditar que ele tinha partido para sempre.
Para todos os que visitavam a avó, erguíamos um muro de protecção pedindo-lhes que se comportassem com ela como se o marido estivesse presente. Todos lhe perguntavam como ia o tio Aurélio, para onde tinha ido trabalhar, como estavam as vinhas que ele cultivava ou o milho que semeava. Despediam-se deixando cumprimentos ao tio Aurélio.
A avó nunca saía à rua depois da morte do avô, e nós diziamos-lhe sempre que fazia bem em não sair, porque fora de casa já nada havia de novo.
Mas, um dia, fugiu-lhe a galinha pedrês, e a avó foi atrás dela para a trazer para casa. Encontrou-se então com a tia Maria Pedra que a vinha visitar. Na aldeia todos sabiam que a avó vivia na ilusão de que não tinha perdido o marido. E todos colaboravam nessa ilusão. Mas a boa tia Maria Pedra que também ficou afastada da família mais próxima depois da morte do marido, fora passar uma temporada na América com os filhos que lá estavam emigrados. Porém a temporada tornou-se anos. Só quando quando não pôde resistir mais às saudades da terra é que voltou. E só então soube da morte do avô.
O marido dela tinha trabalhado para o avô durante doze anos de casados. Entre eles e os avós geraram-se com isso laços de amizade. Quando o marido quis emigrar para França, foi o avô quem lhe emprestou dinheiro para pagar ao engajador – e não lhe quis juros durante os vários anos em que a vida em França correu mal. Assim, à amizade sucedeu-se a gratidão. Mais tarde, quando uma filha lhe adoeceu com uma doença maligna, foi o avô quem se deslocou a Coimbra para dar sangue à menina na frustrada esperança de a salvar. Perdida essa esperança, algumas vezes o avô me levou a casa dela para ver, num quarto minúsculo e escuro, a criança adormecida e a mãe resignada a explicar-nos que a filha já pouco sofria, pois aquela droga que estava num pequeno frasco negro sobre a mesa de cabeceira mantinha-a quase sempre adormecida, e preparando-a já para o sono eterno - ou para a felicidade eterna, quem sabe.
Pode, assim, imaginar-se o afecto que ligava a tia Maria Pedra ao avô. Por isso, quando lhe falaram na sua morte, desfaleceu, como se uma das melhores partes de si própria tivesse também morrido. Ninguém se lembrou depois de lhe falar na ilusão em que vivia a avó, e como todos preservavam essa ilusão.
Ao ver a avó na rua dirigiu-se para ela em grande pranto: “Tia Ana perdeu o seu homem, perdeu o homem mais bondoso do mundo”. E abraçou-se à avó apertando com força o seu corpo pequeno, como se lhe quisesse dar a sua própria energia para que assim a avó pudesse enfrentar melhor o sofrimento.
A avó olhou-a então com um olhar estranho e distante. Partira-se naquele momento a corda que a ligava à vida.
Abraçou suavemente, resignada e alheia, a Maria Pedra. Não lhe falou sequer. Voltou para casa esquecida da galinha pedrês. A tia Maria Pedra compreendeu aquele silêncio e não insistiu na sua presença ficando a ver a avó dirigir-se ao portão de entrada na casa, sem coragem para lá regressar.
A partir de então, a avó nunca mais voltou a falar com o avô, a fazer-lhe a comida, a chamá-lo ao longe para vir jantar.
Quando, no fim de semana, vim à aldeia e fui visitá-la, perguntei-lhe pelo avô, mas ela abraçou-me com um olhar vazio e distante, deixando cair duas lágrimas sem me responder.
Na semana seguinte voltei à aldeia. Encontrei a avó a depenar uma galinha, algo que já não fazia há muito. Arrancava as penas com o mesmo ar alheado e distante com que eu a encontrara no fim de semana anterior. Pedi-lhe para não continuar pois queria que ela fosse almoçar a casa dos meus pais.
Mas ela que, após a morte do marido, nunca mais abandonara a sua casa, recusou dizendo-me – Olha filho, hoje resolvi fazer uma canja para mim, já matei a galinha e vou arranjá-la para a cozinhar. Vai passear pelo quintal enquanto eu faço o almoço e comes aqui comigo.
Aceitei aquela ordem. Fui a ver laranjeiras, macieiras, figueiras, pereiras, diospireiros, tangerineiras, ameixieiras – árvores que outrora o avô tratava como se fossem suas filhas e, agora, ali estavam abandonadas. Também elas tinham perdido a alegria e a força de viver. Fixei o olhar em cada canto do quintal como se esperasse a cada momento que o avô ali pudesse surgir a trabalhar, que era o que sempre fizera ele que haveria de morrer no dia do trabalhador.
Quando voltei já tinha o almoço pronto e a mesa posta. Sentei-me bem junto dela a comer. Mas quase não falámos durante a refeição. Ela abraçava-me a cada instante, e eu beijava-a e acariciava os seus cabelos curtos e frágeis.
Quando acabámos de almoçar, depois de arrumar a sala e a cozinha – recusara sempre contratar uma empregada para a ajudar na lida caseira e lhe fazer companhia – quis que ela fosse passear comigo. Recusou com um vago já estiveste comigo, agora vai para junto dos teus pais.
À minha saída abraçou-me prolongadamente e com força, e beijou-me a testa e acariciou-me a cabeça como me fazia quando eu era criança. Disse-lhe que viria despedir-me dela antes de regressar a Coimbra. Pediu-me para não voltar lá a casa, pois sentia-se cansada e queria deitar-se cedo. Deixei-a, então, resignado.
No dia seguinte a minha irmã telefonou-me a chorar dizendo-me que me ia dar uma notícia muito dolorosa. Percebi logo que a avó tinha morrido. Quando cheguei à aldeia e me dirigi a casa encontrei a tia Maria Pedra abraçada ao caixão. Já deixara de chorar porque a fonte das lágrimas se lhe tinha secado.
Voltou-se para mim a implorar um perdão que não havia motivo para lhe dar – Oh! Adriano, eu é que fui a culpada da morte dela. Se eu não lhe tivesse lembrado que o teu avô tinha morrido ela ainda hoje vivia. Apercebi-me que ela tinha escutado a aproximação da morte na semana passada, quando me deu dinheiro para eu encomendar para o marido e para ela uma missa para o próximo sábado. Ontem à noite voltou a pôr a mesa para ela e para o teu avô. Pôs nos pratos a canja de que ambos tanto gostavam. Sentou-se e ficou a olhar fixamente o prato do marido. Pediu-me para a deixar só.
Esta manhã vim dar com ela morta, e a comida intacta no prato dela e no que ela tinha, pela última vez, posto para o teu avô.

HENRIQUE DÓRIA


publicado por henrique doria às 12:46
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Sexta-feira, 9 de Abril de 2004
ÁRVORE DA VIDA
Do outro lado da janela
eu podia olhar
o plátano ondulante
junto à fonte
onde as mulheres iam buscar
vasos de alegria.
De manhã, uma criança distraída
sentara-se na carranca
por onde a água fora encontrar
na terra a claridade.

Mas à tarde, vasta como a noite,
eu vi que o velho plátano
não era a árvore da vida
quando vieram beber à sua sombra
duas rolas,a cobra,o veado, a lua branca
e o lenhador
com seu machado veloz.

HENRIQUE DÓRIA- Escadas de Incêndio


publicado por henrique doria às 15:17
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SALMO
Ninguém nos moldará de novo em terra e barro,
Ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.

Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de ti queremos
florir.
Em direcção a ti

Um Nada
fomos,somos, continuaremos
a ser flroscendo:
a rosa do Nada, a
de Ninguém.

Com
o estilete claro-de-alma,
o estame ermo-de-céu,sp>
a corola vermelha
da purpúrea palavra que cantámos
sobre,oh sobre
o espinho.

PAUL CELAN, A Rosa de Ninguém.


publicado por henrique doria às 14:58
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O Rapto de Europa
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publicado por henrique doria às 10:28
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Terça-feira, 6 de Abril de 2004
EM MEMÓRIA E LOUVOR DE AGOSTINHO DA SILVA

“ Gostaria muito que o povo português se especializasse no imprevisível.”
AGOSTINHO DA SILVA
Fez no passado dia 3 de Abril dez anos que faleceu AGOSTINHO DA SILVA.
Nascido no Porto, em 1906, AGOSTINHO DA SILVA foi uma das figuras cimeiras do pensamento e da cultura portugueses do século XX, com ele ombreando apenas António Sérgio e Jaime Cortesão. Nascido no Porto, infelizmente esta cidade tem-no votado ao esquecimento, não tendo havido uma única manifestação em sua memória e louvor.
Cidadão de Portugal e cidadão do Mundo, impedido de ensinar em Portugal pelo salazarismo, em vez de sofrer essa injustiça como uma derrota transformou-a numa oportunidade, dirigindo-se para o Brasil onde foi acolhido, fundou universidades, espalhou o seu pensamento e a sua acção, únicos na história depois do Padre António Vieira, ensinando e criando desde o Brasil ao Japão, passando por África, pensando sempre em português, olhando sempre para Portugal.
Sem nunca deixar de apreender os sinais do mundo, através do seu contacto com pensadores os mais diversos, com as mais diversas religiões, com as mais diversas culturas e costumes, nunca deixou de sonhar para Portugal uma missão no mundo, um destino histórico assumido, fundando nas raízes do seu passado sem as “bactérias” políticas que levaram à ruína de Portugal (sendo uma delas “ a mania do homem mandar nos outros homens”, e outra a questão da educação voltada apenas para o aparelho produtivo), fundando aí a construção da HISTÓRIA DO FUTURO.
Será hoje realista, ou possível sequer, falar em “missão de Portugal”? Somos dos que acreditam que sim, embora com algumas diferenças em relação a Vieira, Pessoa e Agostinho da Silva.
Bem compreendeu Camões n´Os Lusíadas que, olhando o mundo como um todo, Portugal se encontra na cabeça da Europa. Como escreveu o genial poeta, é aqui que “a terra acaba e o mar começa”, é aqui que acaba a Europa e começam os outros mundos que Portugal deu ao Mundo, ou, em sentido inverso, que acaba o Mundo e começa a Europa.
De modo diferente de Agostinho da Silva não pensamos que a Europa se encontre esgotada. Com ele acreditamos que a Europa se cansou, se perdeu mesmo nos caminhos do Ter. Mas a Europa é portadora também, como nenhum outro continente, como nenhuma outra civilização, dos caminhos do Ser. E são os caminhos do Ser que é importante que a Europa recupere, já que nos caminhos do Ter, nos caminhos da riqueza, do dinheiro, do poder, já há muito que deixou de estar à frente do mundo.
Se a Europa souber recuperar o seu passado único no mundo, um passado que nos legou Homero, Sócrates, Platão, Aristóteles, Cristo, Boécio, Eckart, Dante, Miguel Ângelo, Leonardo, Camões, Galileu, Rousseau, Espinosa, Kant, Bach, Mozart, Newton, Hegel, Schubert, Kierkgard, Marx, Darwin, Nietzche, Freud, Fleming, Einstein, Max Planck, Proust, Picasso, Popper, para falarmos apenas de alguns daqueles que consideramos os mais importantes, o seu futuro no mundo só poderá continuar a ser brilhante.
Se a Europa compreender que o Ter não deve ser um objectivo em si mas apenas o caminho para o Ser, a Europa não poderá deixar de ser um foral do futuro do homem, que deverá ser, necessariamente, o Homem.
Só se esgotam as civilizações que perdem as suas raízes, e assentando o futuro nas suas raízes a Europa não se esgotará.
De todos os europeus, foram os portugueses, sem dúvida, aqueles que deram mais mundos ao mundo. Foram os portugueses que, como disso AGOSTINHO DA SILVA, “descobriram que o mundo é um arquipélago.”Devemos compreender e aceitar com orgulho a herança que deixámos no Brasil, em África, na Índia e até Timor. Não devemos deixar que essa herança se perca, mas sim que ela constitua um desafio para a construção do nosso futuro, e uma contribuição essencial para a construção da Europa do futuro fundada no Ser, já que as nações de língua inglesa, a começar pela imperial América, fazem do Ter o seu grande desígnio.
AGOSTINHO DA SILVA, como ele disse de si próprio formado “em liberdade”, compreendeu que só o reinado do espírito, o reinado a que ele chamou, na sequência do franciscanismo de Joaquim de Flora e do Padre António Vieira, o reinado do Espírito Santo, poderá fazer do Homem o futuro do homem, um futuro em que a humanidade se reveja na sua unidade e na sua diversidade, ambas assentando na santa liberdade.


publicado por henrique doria às 13:07
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2004
Anti-cultura na Câmara do Porto
A actual Câmara do Porto não merece grande atenção. A auto-suficiência e arrogância do seu presidente, só comparáveis à sua incultura, não levariam a que se gastassem umas linhas neste blog se não tivesse ocorrido algo a que quem gosta desta cidade e pretende a sua dignificação não poderia ficar indiferente. Trata-se da passagem, no dia 3 de Abril, do décimo aniversário da morte de Agostinho da Silva.
Certamente que o presidente da Câmara e a sua veração não sabem, mas Agostinho da Silva nasceu no Porto. Infelizmente esta cidade nunca soube honrá-lo como merecia. Mas ignorar completamente o décimo aniversário da sua morte é um acto de anti-cultura, uma ausência de patriotismo, uma falta de dedicação aos valores maiores da cidade por parte de quem a governa que não podemos deixar de condenar com indignação.


publicado por henrique doria às 09:30
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2004
THERMOPYLAE
THERMOPYLAE

Honour to those whoever in their lives
Have set the bounds and guard Thermopylae.
Never moving from the line of duty;
Righteous and fair in all their actions,
With simpaty as well with compassion;
If they are rich, generous, and if again
They are poor, generous in little things,
Still helping others as much as they can;
Always speaking the truth,
Yet without bitterness against the liars.

And again greater honour becomes them
When they foresee ( and many do foresee)
That Ephialtes will be there in the end,
And that the Medes, at last, they will get through.


C. P. CAVAFY, poeta grego que viveu em Alexandria, 1863-1933.


publicado por henrique doria às 00:47
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