blog filosófico, cultural e político
Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005
VERÃO, MELANC0LIA HERMÉTICA
Ardem sobre o mar
dunas, árvores, noras adormecidas.
As ondas abriram-se à passagem dos pobres
e as crianças que todo o Outono
choraram dentro das conchas
derramam na areia
o seu indiscernível sorriso.

Ao longe, alguém quis regressar
entre o início da noite,
trazer consigo uma lâmpada,
o som de um búzio no olhar.
Mas parece ter-se perdido
obcecado entre a dor
e o espanto das corças impacientes-
ele que parecia conhecer os caminhos
da floresta,
ele que parecia dirigir-se para o norte
das caleches douradas.

Passam cardumes de pequenas luas
pela abóbada da solidão.
Cavalos erguem um turbilhão de nevoeiro,
cavalos com sinais humanos, cavalos sangrentos.

HNERIQUE DÓRIA- Círculo da Terra


publicado por henrique doria às 22:54
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Domingo, 25 de Dezembro de 2005
GIORGIO DE CHIRICO - Melancolia Hermética
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publicado por henrique doria às 22:29
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Odisseus e ardeoazul3
Leio o texto da minha doce e querida amiga Maria Azenha sobre o Natal, e comparo-o com o meu. O dela tem uma sabedoria muito superior, serena.Às vezes não sei se os meus textos são, muito mais do que indignação pela ignorância e o preconceito que dominam o mundo a que pertencemos,uma agressividade que se vira contra o próprio agressor, porque tendo este consciência da verdade do que diz, receia que o modo como o diz não seja aceitável.


publicado por henrique doria às 22:15
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2005
CRISTO
Nada de estranho no nascimento de Cristo, sabendo-se a carga cultural e religiosa do tempo em que nasceu.
Como o deus egípcio Ápis, encarnação do deus Phtah, elemento de uma trindade como a cristã, que passava por ter nascido de uma toura virgem fecundada pelo fogo do Céu, Cristo teve como mãe uma jovem virgem também fecundada pelo fogo celeste do Espírito Santo.
A mãe de Cristo ou, como os católicos dizem, a mãe de Deus, era virgem como Artemis, a deusa de inúmeros seios que tinha o centro do seu culto, na época romana, em Éfeso. Em Éfeso, precisamente a cidade onde o bispo egípcio Cirilo e o bispo efésio Mémnon, através da violência e de uma escandalosa currupção, conseguiram, contra a vontade maioritária do concílio, fazer aprovar um decreto que impunha o dogma da virgindade de Maria, no século V depois de Cristo.
A própria imagem de Cristo, tal como foi divulgada depois do século II, realça as estranhas metamorfoses dos seres no tempo.
Sabe-se que Cristo era baixo, entroncado, ligeiramente careca, e moreno como todos os judeus. A imagem de homem esguio, de louros cabelos compridos e barba também loura, não passa da imagem de Apolónio de Tiana que, com a de Cristo, ocupava o templo particular do bom imperador Alexandre Severo.
Terão ambos nascido no mesmo ano,mas enquanto Apolónio de Tiana teve uma vida longa, uns noventa e quatro anos, Cristo teve uma vida breve.
Enquanto Apolónio de Tiana foi cidadão do mundo, que viajou desde a Espanha até à Índia, e chegou mesmo a dirigir-se à Etiópia, para aprender com a seita gimnofisita, e se interessava por agir políticamente para melhorar o mundo do seu tempo, Cristo foi um judeu arreigado à sua terra, que nunca deixou, a Palestina, um judeu que fugia aos conflitos com o poder político romano, que em vez de estar voltado para o Homem, como Apolónio de Tiana, estava voltado para o Deus dos Judeus.
Ambos foram considerados magos e profetas no seu tempo. Mas Apolónio foi um ser bem mais humano que Cristo.
Não teve fanáticos a segui-lo para transformarem a sua pregação numa religião triunfante, para dele fazerem um Deus.
Mas a sua profunda humanidade não deixou de o transformar num ser divino.

HENRIQUE DÓRIA-Aforismos



publicado por henrique doria às 22:16
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2005
EU
Sou uma árvore que voa, porque pertence a todo o mundo e aqui.
Mesmo que diga mal dos que pertencem ao seu pequeno bosque, que os recrimine pela ignorância e futilidade, e, tantas vezes, pela maldade, é com eles que partilho o odor e o vôo.
É para eles que volto, sempre, em cada migração interior.

AFORISMOS


publicado por henrique doria às 21:41
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005
A PAC E O CHEQUE INGLÊS
Poucos portugueses se apercebem que estamos a atravessar um momento decisivo no nosso país, porque a União Europeia está a passar um momento decisivo para o seu futuro.
Apercebi-me melhor desta realidade aqui em Estrasburgo, onde uma vez por mês funciona o Parlamento Europeu, e onde estou a convite do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, em particular do meu querido amigo Dr. Manuel dos Santos, Vice-Presidente do Parlamento Europeu, e colaborador de O PROGRESSO DE GONDOMAR.
A Inglaterra, por intermédio de Tony Blair, procurou lançar uma pedrada no charco que tem sido, desde há muitos anos, o orçamento da União Europeia.
Com o actual orçamento, um reduzidíssimo de agricultores da União Europeia, particularmente agricultores franceses, dos quais cerca de 500 recebem cerca de 16% do Orçamento da União.
Isto é, cerca de 500 empresas agrícolas francesas recebem da União Europeia mais do que todas as ajudas de coesão recebidas por Portugal!
É uma situação absolutamente escandalosa com a qual têm contemporizado todos os governos portugueses, sendo que um único deputado português votou sempre contra um orçamento assim injusto, foi o ex-deputado europeu António Campos que denunciou perante as instâncias portuguesas e europeias o facto de Portugal ser um contribuinte agrícola líquido da União Europeia, isto é, Portugal paga à União Europeia mais do que recebe em fundos de apoio à agricultura nacional.
Mas os franceses, de vários quadrantes políticos, estão possuídos de um egoísmo e de uma cegueira que os tornam avessos a uma alteração desta realidade que não só prejudica a União mas a própria Franca, já que sectores tradicionais das Franca são muito mais apoiados do que deviam, em prejuízo da educação e das novas tecnologias em desenvolvimento, mesmo em Franca, e em prejuízo de uma política externa e de segurança e de defesa comum.
Os países mais desenvolvidos exigiram uma redução do orçamento da União Europeia de cerca de 1,27 % do Produto Interno Bruto de todos os países da União para 1,03 por cento. Isso implica um diminuição de fundos para Portugal de cerca de 17%, isto é, cerca de 500 milhões de euros por ano ( 100 milhões de contos em moeda antiga).
No entanto, para a Franca e a Inglaterra, o que recebem da União não vai diminuir.
É uma realidade escandalosa que vai persistir. Para mal dos portugueses, em particular do seu futuro. E é estranho que a comunicação social e a sociedade portuguesa não se indigne com isso, e os portugueses prefiram falar no futebol, nas novelas e nas vedetas, uma conversa que é alimentada pelo quarto poder, que é a comunicação social.
Não percebem que o seu futuro e dos seus filhos se joga cada vez mais na União Europeia e não dentro do próprio país.


publicado por henrique doria às 17:52
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Domingo, 18 de Dezembro de 2005
MAGRITTE-Ele não fala
magrite il ne parle pas.jpg


publicado por henrique doria às 14:48
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Sábado, 10 de Dezembro de 2005
...
Podemos erguer-nos como naves de mármore
mergulhar na espuma dócil
colocar na fronte as cabeleiras sagradas
e trazer a luz do mar
sobre os nossos ombros.

Estas mãos que soluçam
podem escrever-se em estelas de ouro,
mas aquém do pórtico
entre o amor e a morte
qual destas solidões a nós pertence?

HENRIQUE DÓRIA- Círculo da Terra


publicado por henrique doria às 17:13
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Domingo, 4 de Dezembro de 2005
HIERONYMUS BOSCH-A Freira
Bosch7.jpg


publicado por henrique doria às 23:11
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Sábado, 3 de Dezembro de 2005
A TAXA CAMARAE DO PAPA LEÃO X
A Taxa Camarae é uma lista de taxas aplicadas a quem cometesse pecados para ser perdoado e ir para o Céu. O mais flagrante cinismo é a sua característica essencial. Aqui vão algumas dessas taxas, cuja lista foi feita pelo papa Leão X, no ano de 1517.
"1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, ou seja, por fim, com qualquer outra mulher, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2.Se o eclesiástico, além do pecado da fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deve pagar 219 libras e 15 soldos.Mas se tiver apenas cometido pecado contra a natureza com crianças ou com animais e não com mulheres, pagará unicamente 131 libras e 15 soldos.
3.O sacerdote que desflorar uma virgem, pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A religiosa que quiser alcançar a dignidade de abadessa, depois de se ter entregue a um ou mais homens, simultânea ou sucessivamente, quer dentro quer fora do seu convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver maritalmente com parentes pagarão 76 libras e 1 soldo."
Para além disto, a referida Taxa Camarae permite que quem cometa o assassínio de um filho vá para o céu, desde que pague uma taxa- aliás muito módica quando comparada com as anteriores.
Com um Deus assim, como não preferir a Terra ao Céu?


publicado por henrique doria às 15:15
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