blog filosófico, cultural e político
Sábado, 27 de Dezembro de 2008
RAÍZES E LIBERDADE

DALI-Gare de Perpignan

 

Não sou um nómada: como todo o camponês, acredito na força das raízes.Daí a minha proximidade existencial a homens como Tolstoi ou, até, Cioran.

Mas deles estou também distante porque, para mim, a liberdade é uma necessidade preciosa, preciosamente rara no universo. Muito mais rara do que a própria vida.

Ainda que só por brevíssimos momentos o homem seja livre.

 

Henrique Dória



publicado por henrique doria às 16:07
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008
VAN GOGH



publicado por henrique doria às 12:36
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CINCO FRAGMENTOS NOCTURNOS

1.

Esta luz é como o lírio breve:

ela só veste de púrpura

toda a primavera.

2.

Quebar-se-á a lua contra a água

ao descobrir a noite

na sua outra face?

3.

Então o corpo é um vaso

onde a noite se transborda

e o pranto da lua

se torna em vinho fértil

e silêncio.

4.

Estrelas inquietas

caem sobre o branco da noite

quando a sua solidão

alcança unir a dor

e a dádiva.

5.

Noite! Oh noite, escuta!

Traz uma estrela

às bodas de carmim.

 

 

HNERIQUE DÓRIA-Círculo da Terra

 



publicado por henrique doria às 12:14
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008
A PERIFERIA DE DEUS

Somos a periferia de Deus. Mas não serenamos enquanto não chegarmos ao seu âmago.

Cem anos nos bastaram para conhecermos muitos dos segredos da vida. Mais cem anos nos hão-de bastar para conhecermos os segredos da criação. E mais outros cem anos para conhecermos os segredos da morte.

 Heinrich Füger-Prometeu levando o fogo à humanidade

 

O homem terá nas suas mãos as chaves do tempo.Mas surgir-lhe-á então a grande angústia: o que fazer com elas? Perpetuar-se como um gene egoísta ou aceitar a morte por amor ao outro?

Seremos como deuses e, no entanto, aceitaremos abdicar?

 

 

HENRIQUE DÓRIA-Fragmentos



publicado por henrique doria às 17:03
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
LER DANTE

BLAKE-Beatriz guiando Dante

 

Ler Dante é comunicar com os grandes mortos de todos os tempos.Eles falam-nos como as sibilas: a sua voz é uma mistura de água e fogo vindos do fundo da terra.

Dante encontra Odisseus no Inferno. O seu orgulhoso desejo de conhecimento e aventura levou-o a deixar a mulher amada, o filho e o velho pai para se lançar à aventura de conhecer o mundo proibido aos mortais, aquele que se encontrava para além das Colunas de Hércules, isto é, do Estreito de Gibraltar, que assinalava o fim do mundo conhecido dos gregos. Para além das Colunas de Hércules encontravam-se os mares antipodas, aos quais nunca se poderia chegar, já que os homens que neles se aventurassem necessariamente cairiam no abismo cósmico ( note-se que este era um dos argumentos daqueles que combatiam a esfericidade da terra).

A última aventura de Odisseus acaba em catástrofe na Divina Comédia: Ulisses e os seus companheiros são engolidos pelos abismos marinhos.

Mas dúvidas não há de que Dante se via a si próprio como um novo Ulisses na empresa que levava a cabo, a criação da Divina Comédia.

As viagens de ambos são classificadas por Dante como folle ( loucas).

Porquê então Dante alcança o Paraíso e Odisseus é sugado para o Inferno?

Cremos que tal sucedeu porque a motivação de Ulisses é apenas a soberba, o orgulho do conhecimento e do triunfo pessoais.Enquanto que a viagem de Dante é motivada pelo amor que tudo motiva, incluindo a razão.

Ulisses abandona, pelo conhecimento, os seres amados.

Dante vai ao encontro dos seres amados através do seu poema, que é conhecimento: ao encontro de Virgílio (  o amor da poesia), de Beatriz ( o amor humano) e de S. Bernardo ( o amor divino).

Ler, hoje, Dante é encontrar um guia para a morte.

 



publicado por henrique doria às 11:07
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
TENTANDO INTERPRETAR DANTE

Não sou, nem de longe nem de perto, especialista em Dante.Mas sendo Dante, para mim, o maior poeta, não deixo de ser seu leitor apaixonado e de tentar interpretar a sua mensagem.

É sabido que Dante é um poeta esotérico.A sua ligação  à Ordem do Templo é também conhecida, e não é sem razão que São Bernardo, e não já Beatriz, é a sua companhia no décimo céu, no final da Divina Comédia: S. Bernardo que foi o verdadeiro criador da Ordem do Templo ao dar-lhe os seus estatutos e divulgá-la por todo o mundo católico.

Dante foi um dos mestres da ordem secreta Fede Santa, cujos membros se intitulavam Fedele d`Amore. A ordem Fede Santa era uma "Terceira Ordem", grau superior na filiação templária. Dante era um irmão FIEL DO AMOR. O amor é, assim, em Dante, a roda que move o mundo para o bem, para a luz, para a felicidade eterna.

É sob este prisma que deverão ser entendidos os versos finais da Divina Comédia:

 

A l´alta fantasia qui mancò possa;

ma già volvega il mio disio e´l velle

sí come rota ch´igualmente è mossa,

l´amor che move il sole e l´altre stelle"

 

Proponho para estes versos a seguinte tradução, em alternativa às duas mais conhecidas da língua portuguesa, a de Vasco Graça Moura e a de Cristiano Martins:

 

"Era a alta fantasia aqui perdida;

mas já erguia o meu desejo as velas,

e como roda por igual movida,

o amor que move o sol e as estrelas."

 

Cristiano Martins entende a palavra amor como  referindo-se a Deus. E, por isso, na sua excelente tradução a palavra amor surge com letra maíuscula, o que não corresponde ao original. Graça Moura parece entender esse amor como amor humano. E por isso mantém a letra minúscula do original. Mas a sua versão esquece o esotérico em Dante. É esse amor esotérico que pretendo realçar nesta tradução, pois me parece o que mais está de acordo com o poema e a condição de Fiel do Amor, cavaleiro Kadosch, isto é, consagrado, que foi Dante.



publicado por henrique doria às 13:31
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