blog filosófico, cultural e político
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
O PRESIDENTE NO SEU FUNERAL

1.

O que aconteceu ontem às oito da noite foi o funeral do cavaquismo feito pelo próprio Cavaco.

O que Cavaco Silva disse ontem é que ele, garante do regular funcionamento das instituições democráticas, não é capaz de garantir o regular funcionamento da sua própria instituição, a Presidência da República.

 

Começo pelo único caso verdadeiramente grave por ele abordado na sua dramática comunicação: a insegurança dos computadores da Presidência da República.

 

Haverá alguém deste mundo de hoje que não saiba que todos, mas todos os computadors do mundo padecem sempre de uma margem de insegurança?

Haverá alguém deste mundo que não saiba que há gente presa por ter entrado nos computadores do Pentágono, supostamente os mais seguros do mundo?

Então se há meses que Cavaco suspeitava da insegurança dos seus computadores, porque só ontem tomou medidas?

Porque é que não se faz a despistagem regular dessas margens de insegurança?

A exibição da sua incompetência, neste aspecto, na sua comunicação de ontem, é dramática.

2.

MAIS: as suspeitas que tinha eram suspeitas da prática de graves crimes contra o Estado. E, então, o Presidente da República não exige ao Procurador Geral da República que abra um inquérito sobre a eventual prática desses crimes, ainda por cima  supostamente praticados por outro órgão de soberania, o Governo?

Como o próprio Procurador Geral da República nada fez face a essas suspeitas lançadas pelos subordinados do Presidente da República, só poderemos interpretar essa não actuação do Procurador Geral como a convicção, por parte deste, de que tudo não passava da tal sally season de que falava Sócrates. Com razão, como se veio a verificar.

3. 

Dos restantes casos, o modo como ele falou e o que disse atinge as raias do ridículo.

 

Está enfurecido por ter sofrido pressões.

Mas então um Presidente da República  dá importância a pressões que sofre ao ponto de ficar assim? É ele tão débil de espírito que não aguenta pressões e é incapaz de passar incólume a elas?

 

Seria difícil imaginar tanta inabilidade num Presidente da República. Tanta que vai ao ponto de deixar preocupado qualquer cidadão minimamente consciente.

 

Quanto ao resto só serve para reforçar o que antes vai dito.

O mistério de se saber que os seus colaboradores colaboravam também com o PSD, como se isso não viesse nos jornais, e não fosse divulgado pelo sítio do PSD na net.

O entender que isso não tinha importância nenhuma e depois queixar-se de que o queriam colar ao PSD, como se a colagem ao PSD dos seus colaboradores não o colasse também a ele.

A ridícula história da espionagem durante a ida à Madeira que nem uma linha merece.

 

O tal mail do PÚBLICO que o levou a suspeitar que os seus computares estavam a ser objecto de devassa, como se os seus computadores fossem a origem desse mail, deixando supor que realmente o eram.

 

Tudo, no fundo, a dar-nos a certeza de que estava metido na tal intrigalhada que envolveu a gente do PSD e do PS, qual deles o pior.

 

Isto é: a dar-nos a certeza de que alguém que se diz pairar acima da baixa política, em desespero de causa (que deveria ser alheia, do PSD), caiu no lamaçal político.

 

4.

Mas o que fez falar Cavaco foi o desespero. O desespero da sua própria morte já antes por outros anunciada.

 

O cavaquismo ficou em estado comatoso com a corrupção que devastou os seus actores principais: os Dias Loureiro, Oliveira e Silva e outros a nível superior,e os Isaltino Morais e Valentim Loureiro e quejandos a nível médio.

 

Agarrou-se à fiel Manuela como a sua tábua de salvação. E quando percebeu que esta estava perdida, perdeu também a cabeça.

 

Houve alguém que percebeu isso e falou da necessidade de o PSD fazer o funeral ao cavaquismo: foi LUÍS FILIPE MENESES.

 

Não foi preciso o PSD fazer-lhe o funeral. O próprio Cavaco se encarregou do seu funeral na noite de ontem, numa cena de ópera bufa.

 

Isto é: sem honra nem glória.



publicado por henrique doria às 23:09
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Sábado, 19 de Setembro de 2009
A PADEIRA DE ALJUBARROTA

O único acontecimento verdadeiramente grandioso desta campanha eleitoral foi o soar da trombeta da Dona Manuela contra o perigo castelhano.  Pela primeira vez, durante séculos, um líder vem alertar-nos:  VÊM AÍ OS CASTELHANOS!

 E sai a palavra de ordem:TUDO PELA NAÇÃO, NADA CONTRA A NAÇÃO!

Ai que saudades!

Infelizmente ninguém a compreendeu, nem o patriótico Dr. Portas.

Mas tenho esperanças que o Dr. Portas ainda a venha a compreender, e, juntos, formem a UNCC, UNIÃO NACIONAL CONTRA CASTELA.

Os outros não são precisos, bem pelo contrário, só estorvam, e para que a vitória seja certa, há que suspendê-los por seis meses, pelo menos.

A Presidente será, por lugar cativo, a Dona Manuela.

Secretário, lugar também cativo, o Dr. Portas.

Director Financeiro, Dr. Dias Loureiro.

Tesoureiro Mor: Dr. Oliveira Costa.

Adjunto do Tesoureiro Mor: Abel Pinheiro ( também Dr.).

Em primeira mão aqui revelo ( sem a ajuda da espionagem do gabinete de Sócrates) a nova tática do quadrado para vencer Castela.

O Dr. Dias Loureiro vai à Feira da Ladra e compra umas avionetas, dessas que caem, através duma conta sediada no off-shore da Madeira. Serão compradas 20% acima do preço de feira, sendo 10% para remunerar o génio financeiro do Dr. Loureiro e o seu sacrifício de ir à Feira da Ladra, e outros 10% para a campanha da UNCC.

Já temos os submarinos do Dr. Portas, mas para os usar, como estão umas prestações do leasing atrasadas, o Abel Pinheiro, também Dr., vai renegociar um plano de pagamento, entregando um cheque sem cobertura do Dr. Oliveira Costa ( perdido por cem, perdido por mil, diz ele).

Entretanto, a Dona Manuela já formou um exército de piquenas e médias padeiras, e aí vão todos, em pé de guerra:

Às 2ªs 4ªs e 6ª s ataca o Nuno Rogeiro, que é quem percebe de avionetas.

Às 3ªs 5ªs e sábados, o Dr. Portas defende Lisboa de espada em riste, cada perna sobre um submarino, no Mar da Palha.

Aos domingos, que é quando os castelhanos vão à missa e dormem a sesta, depois da semana cheia da canseira da guerra, a Dona Manuela e o seu exército de padeiras  atacam, e matam, cada uma, sete castelhanos à pàzada.

A derrota será ainda mais pesada do que em Aljubarrota!

Então poderemos respirar de orgulho porque estará vingada Olivença.

Então poderemos gritar bem alto, quando nos perguntarem quem viva:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

 

 



publicado por henrique doria às 23:32
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
O DEBATE

 

É mais que evidente que Sócrates venceu, mas com clareza, o debate com a D. Ferreira Leite. Em termos futebolísticos, a Ferreira Leite levou, pelo menos, 4-1. E Sócrates venceu o debate precisamente no espaço em que ela se pretende afirmar como intocável: o do carácter. Sócrates demonstrou, à saciedade, que a Dona tem falta de carácter: ele é a história da Madeira, ele é o TGV, ele é a questão da reforma do ensino, ele são as SCUTS, onde as suas posições se alteram conforme as conveniências. Tudo isso uma demonstração de falta de carácter.

 

Pena é que Sócrates não tivesse aniquilado, como poderia ter feito, as propostas liberais da D.Ferreira Leite com um exemplo: o da Irlanda.

 

A Irlanda é o exemplo claro de como a baixa excessiva dos impostos pode ser trágica para um país: face a um momento de catástrofe económica nacional, em que o investimento privado paralisou, o Estado, porque não tem receitas devido aos baixos impostos que manteve,  não tem capacidade para ajudar os cidadãos e a economia. E, pior, vê-se forçado a aumentar os impostos num momento em que os deveria diminuir para ajudar a economia.

 

O contrário disso é a Suécia, em que o elevado nível dos impostos permitiu manter a economia, nesta fase difícil, quase sem sobressaltos quando comparada com o resto da Europa.

 

Mas talvez Sócrates não quisesse dar esse exemplo para não desagradar aos senhores do dinheiro.

 

Outra questão já abordada no texto anterior do odisseus: a da liberdade de informação.

Os canais televisivos que comentaram o debate foram todos de um facciosismo escandaloso. Quer na SIC, quer na TVI, todos, MAS TODOS os comentadores eram do centro e da direita. E, por isso, ou deram como resultado um empate, ou até, PASME-SE, a vitória no debate à Dona Ferreira Leite.

 

Esta é a verdadeira liberdade de informação que a Dona defende.

Mas é também um modo de avaliação do seu carácter.

 

Um tipo que se diz Alta Autoridade para a Comunicação Social, e como tal está a ganhar o nosso dinheirinho, o que faz ele face a casos destes? Nada. O que fazem o PS e as outras forças de esquerda? Que se saiba, NADA.



publicado por henrique doria às 10:41
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Domingo, 6 de Setembro de 2009
FERREIRA LEITE OU A QUADRATURA DO CÍRCULO

 

O debate com Francisco Louçã mostrou, mais uma vez, ou a incompetência ou a desonestidade da D.ª Ferreira Leite. Que, infelizmente, Louça não aproveitou como devia.
A questão é a seguinte: quais as três principais propostas da D.ª Ferreira Leite para dinamizar ( coloquei, inicialmente, um t em vez do z) a economia:
1º Baixar as contribuições das empresas para a Segurança Social.
2º Baixar os impostos das empresas.
2º Equilibrar o orçamento.
Quanto à primeira medida, baixar as contribuições das empresas para a Segurança Social, a Sr.ª já disse onde iria buscar o dinheiro para equilibrar o orçamento da Segurança Social: ao Orçamento Geral do Estado.
Significa isto que irá aumentar a despesa geral do Estado, e, consequentemente, aumentar o défice.
Quanto à segunda medida, significa ela que irá diminuir a receita geral do Estado, e, consequentemente, aumentar o défice.
Logo, as duas primeiras medidas da D:ª Ferreira Leite são o contrário da terceira.
Para conseguir conjugar essas três medidas irá alcançar aquilo que os alquimistas e magos de todos os tempos tentaram mas nunca conseguiram: a quadratura do círculo.
Mas como não acredito que ela esteja convencida de que descobriu a quadratura do círculo, é essencial interrogá-la sobre o que ela esconde: então onde irá buscar o dinheiro para equilibrar o orçamento?
A dita Dona já disse onde não era: aos ricos não pois o imposto sobre as grandes fortunas proposto por Louçã é, para ela, um fantasma abominável.
Restam os pobres e a classe média.
Sobre isso nada diz. Mas nós percebemos bem que, à falta da descoberta da quadratura do círculo antes referida, é aos pobres e à classe média que ela irá sacar dinheiro para tapar os rombos que as duas primeiras medidas irão provocar no Orçamento de Estado.
Essa gente do PSD e do CDS que se tem vindo a baquetear à Trimalcião nos BCP, nos BPN, nos BPP, nas EDP e nas GALP, muita da qual veio do MRPP, conhece bem o slogan: os pobres e a classe média que paguem a crise.
Como a Sr.ª não é ignorante, e sabe bem fazer estas contas elementares, a falta de referência ao agravamento dos impostos, sobretudo indirectos, da classe média, não passa de uma desonestidade, de uma falta à verdade dela bem conhecida que diz tudo sobre o carácter da dita senhora que tanto fala de verdade.
 A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO EM PORTUGAL
Pese embora algumas falhas de Louçã, nomeadamente as derivadas do seu passado trotzquista que lhe faz fugir o pé para o chinelo do endeusamento do Estado, é óbvio, para qualquer observador imparcial, que Louçã venceu claramente o debate.
Mas os comentadores encartados da SIC e da TVI que se pronunciaram logo após o debate e avaliaram a prestação de ambos, deram uma clara vitória a Ferreira Leite, ou, quando muito, um empate.
Muito democraticamente, todos eram de direita.
Assim vai o pluralismo da informação em Portugal.
Também aqui Louçã esteve mal. Deveria ter dito claramente à D.ª Ferreira Leite que o PSD e o CDS quase monopolizam a informação em Portugal, deixando umas nesgas para os outros.
E ela chora lágrimas de crocodilo pela dita censura ao dito noticiário da TVI.
Em primeiro lugar porque a esmagadora maioria dos meios de informação é altamente tendenciosa a favor do PSD, e ela dá-se bem com isso. Quem lhe ouviu uma palavra de censura sobre o saneamento de Marcelo Rebelo de Sousa?
Em segundo lugar porque a TVI não prestava qualquer informação sobre nada. O pasquim da Moura Guedes era um insulto à informação, ao jornalismo e à inteligência, e só o nepotismo do marido permitia que se mantivesse naquele lugar.
O fim daquilo não foi um acto antidemocrático, mas uma questão de higiene pública.


publicado por henrique doria às 23:28
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