blog filosófico, cultural e político
Sexta-feira, 11 de Julho de 2014
A CABEÇA DESTA MULHER

A cabeça desta mulher tem o ferrão do amor

Espetei um alfinete nessa cabeça de vespa

Grande vespa

Espetei-o até lhe atingir o ferrão de ouro

E então a cabeça inesperada começou

Voando-voando

Mais do que o corpo da mulher danada

Mais do que a sua sentença

Mais até do que a sua flor misericordiosa

 

Para cometer em mim um roubo

Inteiro

Para me transformar

Num homem grande e poderoso

Numa cidade ciosa de sol.

 

Dia e noite noite e dia

Me vai roubando

O seu ferrão escavando o meu cérebro

O seu veneno entrando no meu sangue

Com uma ternura cruel.

 

Ah mulher danada

A quem nem o mar separa

A quem a lua se deita no seu seio

A ensinar os fios do amor

A ensinar o poder do veneno

Que em sete noites fizeste

Do meu sangue um arco iris

E em oito e nove dias doidos

Fazes a minha cabeça fugir com o sol.



publicado por henrique doria às 17:11
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014
CORIOLANO ( cont.)

- A eternidade é o tempo da morte, Coriolano. Lembra-te: a cada momento a carne desprende-se dos ossos. Medita, pois, no nada que és.

Reis, ditadores, cônsules, salvadores da pátria, entre a noite e a manhã serão aniquilados. Onde está a eternidade dos reis? Onde está a eternidade do soberbo Tarquínio? Fez-se a si próprio rei. Mas onde está o seu senado, e onde a sua coroa? Apoderou-se dos bens de tantos patrícios poderosos de Roma. Mas onde estão agora os seus bens?

Educou seu filho na soberba, na violência e na luxúria. Mas esse Sexto Tarquínio que violou a casta Lucrécia, esposa do mais nobre dos romanos, não é agora mais que a podridão dentro da cloaca máxima.

Infeliz de ti que estás contente como teu orgulho. Amanhã os teus inimigos estarão fortes e os teus filhos estarão perdidos, porque como as armas dos teus filhos a tuas armas estarão quebradas. E hão de chorar amargamente, mas tu não estarás lá para os defender nem consolar o seu pranto.

Os seios abundantes da tua mãe e a sua alma forte que te fizeram erguer acima dos comuns mortais terão servido para nada.

A tua casa é feita de barro e construída sobre as águas. A água há-de tornar o teu corpo em lama, e o sol tornará em pó a lama em que te tornaste.

Então tu não serás mais que pó entre as ruínas.

As estrelas hão de obscurecer e o seu crepúsculo em vão há de ansiar pela luz. O tempo tudo tornará em noite estéril. A vida não passará duma inutilidade a que nada nem ninguém há de lançar um sequer riso de escárnio.

Cinge os teus braços, Coriolano. Cobre de cinza a tua cabeça. Já perdeste tudo o que tiveste. Já te perdeste a ti mesmo.

E tudo em ti terá sido inútil porque nunca alcançaste a humildade da sabedoria.



publicado por henrique doria às 23:07
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