blog filosófico, cultural e político
Segunda-feira, 25 de Abril de 2005
ABRIL
Quando da terra sobe o odor das derradeiras águas
e o cume da manhã em suas cordas
de oiro canta nos olhos admirados
das pequenas lebres.
Quando as tímidas bolhas de água
se escondem dos olhos das cegonhas
como se ao chegar das estações
o céu temessem,

aqueles que sob a neve da noite
viram desespear o fogo
da casa como se não houvessem
mais as árvores,
aqueles que nas altas margens
a si invocaram o olho da águia
para que nas planícies se espalhassem
verdes os cordeiros,
aqueles que do bosque das casas
espreitaram uma asa que através
dos líquidos vidros lhes trouxesse
uns grãos de luz,
aquelas em quem a sonoridade
luminosa de um tegumento a quebrar
as apela ávidas e ágeis
para a chama,
aqueles que sob as ombreiras
de pedra interrogaram as nuvens
e olharam ansiosos da magnífica infância
o apelo das praças,

e também os que nas húmidas casernas
e segurando o temerário aço
a música esperaram que abriria
o coração dos dias,

tudo o que sob o gume
do Inverno e nas obscuras arcas
no longo fluxo da noite
a respiração susteve,

tudo agora subitamente se descobre
e olha e deseja e se interroga
cheio de um azul completamente novo
sob o sol crescendo ávido sobre a terra.

HENRIQUE DÓRIA- Círculo da Terra


publicado por henrique doria às 13:48
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6 comentários:
De Anónimo a 6 de Maio de 2005 às 22:56
Henrique, belo poema. Se fosses pescador eu diria que você pescou peixe grande. ParabénsLeônidas Arruda
(http://www.leonidasarruda.adv.br)
(mailto:contato@leonidasarruda.adv.br)


De Anónimo a 2 de Maio de 2005 às 12:30
Adorei este teu cantar de Abril e da natureza...

beijinhoCris
(http://chatalinda.blogs.sapo.pt/)
(mailto:chatalinda2@hotmail.com)


De Anónimo a 28 de Abril de 2005 às 23:28
Que belíssima forma de cantar Abril, Henrique. Um Bjoamita
(http://brancoepreto.blogs.sapo.pt)
(mailto:amitaf324@hotmail.com)


De Anónimo a 27 de Abril de 2005 às 23:00
Natureza e todo um mundo que desponta despois da aridez e frieza do inverno. Lindo poema, Henrique. Um beijo.Pink
(http://shrineofhypnos.blogspot.com/)
(mailto:The_pink_lady@sapo.pt)


De Anónimo a 27 de Abril de 2005 às 18:50
Olá Amigo,estou em repouso de blogs.

bjs,

mariahmaat7
(http://ardeoazul3.blogspot.com)
(mailto:maat7@sapo.pt)


De Anónimo a 26 de Abril de 2005 às 08:55
Bom dia Henrique. Também sustive a respiração. Deve ser essa a ibertação que as revoluções provocam... É assim que o homem vive o refluxo da esperança após a frieza dos Invernos expiados... Gostei muito. E agradeço a participação lá pelos Poemas de chinelos! Um abraço.LibeLua
(http://oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt/)
(mailto:libelua@sapo.pt)


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