blog filosófico, cultural e político
Domingo, 16 de Janeiro de 2005
ESQUELETOS NA PRAIA
O Expresso deste sábado trouxe, na Revista, um dos artigos mais interessantes que tenho lido em jornais ( e há-os casda vez menos): um texto sobre as catástrofes terrestres, as religiões e a globalização. Há cerca de 100 anos apareceram nas praias de Zanzibar esqueletos humanos e animais, restos da explosão do Krakatoa, um vulcão a oeste de Java ( mais uma vez a Indonésia!). A erupção do Krakatoa teve consequências em toda a Terra, e foi explicado pelos padres muçulmanos como um castigo de Alá pelo facto de o país se deixar subjugar pelos infiéis holandeses. O que conduziu às primeiras revoltas contra o domínio holandês da Indonésia.
Já em 1906, o grande tremor de terra que teve origem em movimentos tectónicos na Falha de Santo André teve também explicações religiosas como sendo um castigo de Deus previsto por fanáticos padres evangélicos, e levou à criação de uma das correntes religiosas mais influentes nos Estados Unidos, a Igreja Evangélica, de cariz pentecostista e conservador, que foi decisiva para a eleição de George Bush.
Ao contrário do que sucedeu com o sismo recente a oeste de Sumatra, cuja explicação científica todos conhecem, a explosão do Krakatoa e o grande tremor de terra de Los Ângeles não tinham causas conhecidas ao tempo, e, por isso, puderam ser atribuídos ao castigo de Deus. Mas os seus efeitos ainda hoje perduram, no segundo caso para mal da humanidade.
O artigo é excelente, aconselho a sua leitura, mas permito-me acrescentar algo que me parece importante: se o artigo põe em relevo a importância da globalização, que começou com a informação mundialmente difundida de imediato sobre a erupção do Krakatoa, é importante pôr em relevo também a importância positiva da globalização no socorro às vítimas do tremor de terra de Sumatra.
É devido à globalização que o pequeno indonésio sobrevivente à catástrofe e que vestia a camisola da seleção portuguesa de futebol irá ter uma casa oferecida pela nossa seleção!


publicado por henrique doria às 17:05
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3 comentários:
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2005 às 00:52
Olá Henrique!
A explicação religiosa para certos fenómenos da natureza deve ser utilizada com contenção.
É que se essas pessoas que a aceitam, mais tarde descobrirem que quem as divulgou poderia ter feito mais qualquer coisa como reordenar o poavento dos territórios, não ocupar as orlas marítimas e, sei lá, tanta e tanta informação, não haveria provavelmente tanta vítima á mercê dos efeitos devastadores das catástrofes como a da Asia por indução sismica ou das proprias monções.
As pessoas queixam-se da globalização quando, através dela, lhes é exigida alterção de comportamentos, etc. etc.
Um abraçãoJose Duarte
(http://melnofrasco.blogspot.com)
(mailto:josepduarte@clix.pt)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2005 às 10:01
O não ver, o virar a cara, não nos permite muitas e muitas vezes saber o porquê dos acontecimentos eu, pelo contrário não gosto, mas as coisas acontecem existem não posso sózinha mudar o mundo mas... posso com a ajuda de outros tentar melhorá-lo, um abraço Henrique e a todos os que não tem medo de alguma forma melhorar o dia nem que seja sómente com as palavras.isabel
(http://www.sintonia.blogs.sapo.pt)
(mailto:isabel_espadinha@msn.com)


De Anónimo a 17 de Janeiro de 2005 às 00:02
Henrique, só o título do teu post arrepiou-me! Com uma catástrofe tão recente que tantas praias afectou, o título está excelente. Eu é que estou já a ficar "alérgica" a ler e ver mais imagens de vítimas ... Estive com o Expresso na mão, comecei a ver umas imagens num artigo sobre o tsunami e desisti, para me poupar ao sofrimento que me causa a visão continuada de tais coisas! Um beijo e uma boa semana para ti!
Pink, the Lady
(http://hypnos.blogs.sapo.pt/)
(mailto:The_pink_lady@sapo.pt)


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