blog filosófico, cultural e político
Segunda-feira, 1 de Novembro de 2004
OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS DO SECULAR ATRASO

Não, não vou acusar este governo de todos os males de Portugal- é demasiado recente e medíocre para tanto. Não vou defender Marcelo como uma vítima da censura- sempre foi demasiado faccioso a favor da direita, o que me leva a não o defender da cabala levada a cabo pelo ministro Silva. E também não vou falar da comunicação social que temos- mete dó tanta ignorância e tanta dependência.
Vou falar dos verdadeiros responsáveis pelo atraso secular do país:
1º Os homens das universidades.
Desde há cem anos que o país é dirigido por professores universitários. Os universitários deste país são o exemplo da arrogância mais balofa e incapaz que por cá grassa. Por ensinarem na universidade, quase todos se julgam partilharem um sétimo céu. Na realidade, salvo raras excepções, as nossas universidades só produziram saberes inúteis ou bafientos.
O exemplo mais eloquente disso é a universidade de Coimbra – de que falo com conhecimento de causa, porque foi lá que me formei. A arrogância da generalidade dos professores universitários de Coimbra é proverbial- só comparável à sua ignorância ou à inutilidade do seu saber. Foi por isso que Coimbra sempre viveu acantonada em volta da sua “cabra”, em volta dos seus doutores. Para os Senhores Professores Doutores o saber com ligação à vida real era ( continua a ser, na generalidade) algo de desprezível no qual ele não queriam sujar as suas brilhantes cabeças ( brilhantes porque cheias de brilhantina, mesmo quando totalmente carecas).
Muitos dirão que exagero. Que existem exemplos. Que não é bem assim.
Quanto aos exemplos falarei deles num outro texto.
Quanto ao ser ou não bem assim, a prova está à vista, e é irrefutável: a única indústria de Coimbra é o “aluguer” de quartos a estudantes.
2º Os homens do dinheiro.
Voltando-nos para os homens do dinheiro, a sua arrogância e a sua ignorância são similares ao que grassa nos professores universitários.
Sempre souberam tirar partido apenas de manigâncias, da fraude e do proteccionismo. E são os primeiros a falar alto contra as manigâncias, a fraude e o proteccionismo.
A história é longa, e vem desde o caso das manigâncias, fraudes e proteccionismos que ficaram célebres, desde a Primeira República ( para não recuar mais) até ao momento presente.
Na Primeira República ficaram célebres os casos da indústria dos tabacos e das fraudes bancárias ( nomeadamente a principal, o caso Angola e Metrópole).
No salazarismo foi patente o proteccionismo e favoritismo à banca e aos industriais obsoletos, para não falar dos agrários inúteis.
O caso mais exemplar do industrial português foi o arrogante “Champas”, que viveu sempre à custa do proteccionismo económico, financeiro e legislativo, contra o qual teve a lata de falar depois do 25 de Abril, quando acabou o condicionamento industrial.
Na Segunda República, o exemplo mais claro é o proteccionismo e o favoritismo de que goza a banca privada, particularmente a do conhecido membro da Opus Dei que é Jardim Gonçalves, que chega a pagar impostos com a taxa real de 7%, que directa ou indirectamente tem sido o grande beneficiário dos apoios comunitários, que com a cumplicidade dos governos tem drenado a seu favor.
Em textos sucessivos iremos desenvolver esta história de cumplicidade e responsabilidade deste dois poderes reais no secular atraso de Portugal.



publicado por henrique doria às 00:57
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1 comentário:
De Anónimo a 1 de Novembro de 2004 às 21:14

Bem, Henrique, vistas as coisas deste prisma, acho que tens muita razão. Este país tem falta de pensadores, políticos e estrategas brilhantes. Desde D.Dinis que nao temos um, porventura. Responsabiliade nisso terão os nossos homens de saber confirmado e testado que nunca souberam arregaçar as mangas e dar-se ao trabalho de bulir pelo país... Quanto ao poder, existe e sempre existiu para se servir a si mesmo.
Gosto das tuas reflexões. Já tinha dito?

LibeLua
(http://oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt/)
(mailto:libelua@sapo.pt)


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