blog filosófico, cultural e político
Domingo, 22 de Janeiro de 2006
DESDIZENDO
Miguel Esteves Cardoso, outrora celebrado analista, comentador e político monárquico, que passou por um período de apagão, regressou recentemente às lides jornalísticas com página semanal nesse pasquim intitulado EXPRESSO, que ainda não consegui deixar de ler por razões que não consigo descortinar.
É a ele que, por simplicidade e, vamos lá, uma certa ternura, chamarei de D. Miguelito, irei desdizer nesta primeira crónica.
O D. Miguelito é um rapaz contraditório como o rei de que herdou o nome.O rei D. Miguel afirmava-se católico, mas isso não impedia que as suas preferências sexuais fossem dirigidas não para a legítima esposa mas para uma serva anã, negra.
Nacionalista, lutador tremendo contra a adesão de Portugal ao euro, o D. Miguelito defende regiamente o princípio de que só o que é nacional é bom, incluindo as leis que regulam os galheteiros.
Daí que qualquer lei, mesmo com pouca importância, da Comissão Europeia, ponha o nosso D. Miguelito com os azeites.
E é com a lança brilhando de azeite que se atira, como o hidalgo D. Quijote contra os moinhos de vento, contra a Comissão Europeia, defendendo a sua dama de vidro, ou seja, os galheteiros dos restaurantes.
Não importa que muitos restaurantes espanhóis, onde os portugueses algumas vezes são forçados a comer, misturem óleo de avião com azeite, ou que muitos restaurantes portugueses baptizem o galheteiro com meio por meio do óleo de amendoim mais rasca do mercado.
Isso é uma realidade que para o nosso D. Miguelito não tem importância. O que interessa é defender o galheteiro, essa instituição nacional que tantas vezes cheia de sarro alguns restaurantes, para já não dizer tascas, apresentavam na mesa dos clientes.
Para o D. Miguelito, como bom português que é, “o que não mata engorda”. Pelo que, galheteiro acima de todos.
Os fiscais portugueses nunca receberão uns cobres ou uns bacalhaus de borla para fecharem os olhos ao óleo de amendoim. São portugueses, são bons. E tudo o que vem da Comissão Europeia é mau. Nem que seja para nos defender das aldrabices, e não impeça ninguém, incluindo os D. Miguelitos que por aí abundam, de usarem os galheteiros para servirem o bom azeite nacional às visitas das suas nobres casas.
Ai D. Miguelito, D. Miguelito, estamos em tempo de globalização! E, mesmo não parecendo, há algumas coisas que vêm da Comissão Europeia que nos defendem melhor que nós nos defendemos a nós mesmos.
Por mim, prefiro que os portugueses tenham nos restaurantes ou nas tascas azeite puro a galheteiro sebento.
Pedindo desculpa pela ousadia, D. Miguelito, aqui vai uma sugestão: certo nacionalismo ultramontano e monárquico já cheira a ranço, como a rainha de Inglaterra.Lave-se desse ranço com o nacionalíssimo, passe a publicidade, sabonete Patti.


publicado por henrique doria às 12:17
link do post | comentar | favorito
|

4 comentários:
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 00:57
Olá, Henrique!
Está fantástica esta tua crónica, de um sarcasmo e uma critica mordz que muito me agradam!

Um beijinhoPink
(http://firebud.blogspot.com/)
(mailto:the_pink_lady@sapo.pt)


De Anónimo a 23 de Janeiro de 2006 às 22:54
Gostei da ironia e acho bom que tenhas aberto este espaço para «Desdizeres» o que te aprouver.
Preocupam-se com o azeite e desprezam o vinagre. Vá lá saber-se porquê!
Bom.
Um abraçoJose Duarte
(http://melnofrasco.blogspot.com)
(mailto:josepduarte@clix.pt)


De Anónimo a 23 de Janeiro de 2006 às 19:38
É por via deste nacionalismo exacerbado e tão horizontal na sociedade portuguesa, que somos o país mais iletrado, mais inculto e mais chico esperto da Europa, e talvez não só. E deve ser por esse nacionalismo que acreditámos (embora o coro não estivesse tão afinado, como à primeira vista parecia) que o D. Sebastião ia voltar numa manhã de nevoeiro e por uns magros pontinhos, sentamos o homem de Boliqueime no cavalinho branco esperando que o milagre aconteça. Não sei se ainda existe sabonete Patti, mas com esse ou outro era bom que muita gente lavasse a cabeça...mas por dentro. E ousasse acreditar que o D.SEBASTIÃO morreu pelas Áfricas, num dia quente de Agosto dentro de uma armadura agonizante. É que é só por aí, na cidadania do mundo, que está o caminho, e os comboios, esses andam cada vez mais depressa. maria
</a>
(mailto:elsaviegas@sapo.pt)


De Anónimo a 22 de Janeiro de 2006 às 19:15
Em muitas coisa o D. Miguelito não terá razão mas, realmente, a Comissão Europeia não faz outra coisa do que deitar cá para fora ordens e mais ordens: não faça assim, não coma assado, só falta dizer-nos a que horas nos devemos deitar/levantar para que todo os europeus sejam iguais. Cada povo tem os seus hábitos e costumes de que não podem prescindir dum momento para o outro. Não me interessa nada ser igual a um inglês ou a um norueguês, ou comer as mixórdias que eles comem. Que tenhamos cuidado com a higiene e aprendamos que certas coisas são perigosas, acho muito bem mas tudo tem um limite!!!Luisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

FRAGMENTO

FRAGMENTO

POBRE AVÓ QUE ORA

SOMOS APENAS ÁGUA

FRAGMENTO

FRAGMENTO

CORREM EM MIM TRÊS RIOS

EM MEMÓRIA E LOUVOR DE AL...

OLHO PARA MIM

FRAGMENTO

arquivos

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Outubro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Abril 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

blogs SAPO
subscrever feeds