blog filosófico, cultural e político
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2006
A BALANÇO DO ANO
Portugal está a passar um dos momentos difíceis da sua história. Tudo aquilo que se consideravam direitos adquiridos está agora posto em causa porque as dificuldades orçamentais são crescentes, desde as do Orçamento Geral do Estado às do Orçamento da Segurança Social.
Perante a crise, o governo de Sócrates faz o que faria qualquer governo de direita ou centro-direita: põe as classes médias e baixas a pagar a crise.
Na verdade, crise não existe para a banca, nem para as seguradoras, nem para a grande distribuição.
Estas continuam, através dos mais variados expedientes, a fugir ao fisco.
Quem paga é o mexilhão, que tem de vender os anéis para que o fisco lhe não corte os dedos. Agora com a ameaça, de duvidosa legitimidade constitucional, e até com eventual relevância criminal, de ver o seu nome posto na praça pública como caloteiro.
Entretanto, os lucros da banca, das seguradoras e da grande distribuição ( os declarados, obviamente) continuam a subir escandalosamente.
Portugal continua a ser um país de cada vez maiores desigualdades, um país de cada vez menos portugueses.
Agora que se aproximam as eleições presidenciais, tudo está preparado para que se faça o Bloco Central, mas num novo modelo: Cavaco na Presidência e Sócrates no governo. Parece a ambos que, assim, há legitimidade democrática acrescida para fazerem os pobres pagar a crise.
É a esta luz, essencialmente, que deve ser lida a escolha de Mário Soares para candidato do Partido Socialista à Presidência da República e o pedido de desistência dos restantes candidatos de esquerda feito por Jorge Coelho.
Porque, com Manuel Alegre, ou mesmo Mário Soares, na Presidência, Sócrates não teria a legitimidade aparente, nem o incentivo presidencial para forçar os remediados e os pobres a serem os únicos a pagar a crise, como o está a fazer.


publicado por henrique doria às 09:23
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8 comentários:
De Anónimo a 10 de Janeiro de 2006 às 09:45
e, no entanto, viva portugal e vivam os portugueses que maravilhosa e miraculosamente sobrevivem no imenso caos que os rodeiamanchinha
(http://manchinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:e_manchinha@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Janeiro de 2006 às 01:18
Caro Henrique, admiro a tua clarividência neste post! Pena é que me palpita fortemente que teremos mesmo Cavaco e Sócrates aliados nas medidas que continuarão sempre a penalizar os mesmos: o mexilhão!

Um beijo e bom domingoPink
(http://firebud.blogspot.com/)
(mailto:the_pink_lady@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 23:57
Concordo contigo, mas quais são as alternativas concretas e realistas a esta política? Talvez pudesses escrever sobre isso num próximo post. Como a Maria, também vejo semelhanças com o século XIX. Basta ler as Farpas. Mas como é que se sai daqui? Um abraço.
Pamina
(http://bonamusica.blogspot.com)
(mailto:bonamusica@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 22:31
lamento repetir-me, mas tendo a esquerda sido incapaz de se reunir e discutir um perfil presidencial e escolher em conformidade, não poderá lamentar-se se for derrotada à primeira volta. Há, sem dúvida, uma enorme probabilidade de essa eventualidade se verificar. Com Cavaco em Belém muita coisa será imprevisível.
Um abraçoJose Duarte
(http://melnofrasco.blogspot.com)
(mailto:josepduarte@clix.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 13:34
Se me mandares o teu e-mail é mais fácil dar-te a explicação sobre as imagens grandes porque tenho mais espaço para escrever. o meu e-mail é luisa34@netcabo.ptLuisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 00:50
Agora já é muito tarde mas amanhã vou tentar explicar como se podem editar imagens grandes.
Boa noiteLuisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 23:44
Pois. Esse é mesmo o triste e miserável estado da nação. Um país que não pensa e não cresce só pode mesmo entrar em deep dep. Acho curiosa a explicação da estratégia para o bloco central, mas tenho que pensar mais um bocadinho para ajuizar se concordo ou não com ela. Já me entusiasmaram as presidenciais, mas esmoreci no entretanto. Já me entusiasmou o ano novo, mas perdi-me já nos caminhos que são os mesmos do ano velho. E nem mesmo a "fenêtre ouverte, une fenêtre eclairée" do Paul Elouard que já me deu alento em caminhadas negras e cinzentas, consegue agora convencer-me. No que continuo ainda a acreditar é que é caminhando que se faz caminho e descubro cada vez mais gente consciente do caminho que se não faz e que, curiosamente até tem ideias para outras estradas. Há uma sociedade civil, não organizada na sua forma lógica e natural, a partidária, que não se revê no país, mas que por uma qualquer razão que não consigo vislumbrar para além do comodismo e da preguiça não consegue erguer mais alto a sua voz, de forma a ser ouvida. Por razões de pura diletância, voltei a estudar o sec. XIX português e pasmo com a verosimilhança. Só me pergunto o que andámos a fazer em mais de um século, para que os registos continuem a ser assim tão actuais. E juro que as leio com olho míssil e não com olho fóssil. Tristes constatações! E olha, Henrique, se mais não fizermos, vamos por aqui deixando marca da indignação que nos rói a alma e nos apoquenta os dias. Força!
mariamaria
(http://www.estadodaspalavras.blogspot.com)
(mailto:elsaviegas@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 22:34
Estamos todos muito em baixo ao começar do novo ano. A crise continua, os baixos salários continuam, as pequenas reformas continuam.
Como sair disto?
Retratas a situação com grande clareza mas penso que também não vês o fim à vista. Resolverá o futuro Presidente da República alguma coisa?
Não creio, não tem poderes para isso. Eta nossa crise é estrutural e se não mudarmos todos, nada muda. Luisa
(http://ecosdotempo.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisa34@netcabo.pt)


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