blog filosófico, cultural e político
Domingo, 28 de Março de 2004
A Mentira como Arte Política
A MENTIRA COMO ARTE POLÍTICA

Há uma geração de políticos, dos quais Bush é o mais poderoso exemplar, que usa a mentira e o cinismo como modo de alcançar e manter o poder.
O caso das armas de destruição maciça é exemplar: as fotografias que Colin Powell mostrou na ONU de uma “instalação nuclear” do Iraque não passavam de um barracão de recolha de veículos, e os “veículos de descontaminação” eram, afinal, carros de bombeiros. Mas tudo isso serviu para justificar a invasão do Iraque.
A um nível inferior, a classe política nacional actualmente no poder usa exactamente os mesmos padrões de mentira e de cinismo.
Vejamos a questão do deficit. Quando o PS estava no poder, com um deficit de 4% mas sem a venda do património público, esse deficit demonstrava que o país estava de tanga.
Sabemos que o deficit real em 2003 foi de 5% do PIB. Mas com a venda ao desbarato do património público conseguiu-se dizer ao país que o deficit estva nos 2,8%. Se nos tempos do governo Guterres fosse vendido assim o património do país, seria para Durão e Portas vender Portugal a retalho à mais escura banca internacional. Como são eles que o vendem, trata-se de uma medida patriótica.
Depois a choradeira dos pobrezinhos. Para Durão e Portas, pensões inferiores ao salário mínimo nacional eram uma prova do mau governo e da insensibilidade socialista aos mais pobres. Poderiam as pensões mais baixas subir o triplo da taxa de inflação durante os governos socialistas. Mas esse esforço era sempre ridículo para Durão e Portas.
Agora que ambos estão no poder já se esqueceram das pensões inferiores ao salário mínimo nacional. E mesmo as pensões mais baixas subiram em taxa inferior à da subida da generalidade dos preços. Para Durão e Portas já não se trata de injustiça social, mas apenas de rigor económico.
No tempo dos governos PS a torto e a direito vinha a história dos “jobs” para os “boys”. Agora o que se verifica é a mais escandalosa ocupação do poder por incompetentes do PSD e do PP, com ordenados chorudos em todos os lugares. Das empresas com administrações nomeadas pelo Estado, das quais todos os socialistas foram literalmente varridos, até aos lugares que deveriam ser de carreira na administração central e local, mas que o governo da dupla Durão e Portas transformou em lugares políticos, acabando com os concursos públicos instituídos pelo PS, e passando a escolha dos lugares a ser da competência dos governantes e dos aparelhos partidários do PSD e do PP. Exactamente os mesmos que durante os governos socialistas gritavam por concursos públicos.
Os exemplos poderiam continuar até à exaustão. Mas todos eles mostram o profundo cinismo, e a prática da mentira como modo de estar na vida política, que deveria ser nobre, pelos actuais dirigentes do PSD e do PP.
V.S. Naipul, Prémio Nobel da Literatura em 2001, sintetisou numa frase esta arte da política que a direita mundial actualmente pratica mais do que nunca:
“Eles queriam ouro e escravos...;porém, ao mesmo tempo, queriam estátuas erigidas em sua honra, porque, diziam, tinham feito muitas coisas a favor dos escravos."
Infelizmente, a oposição nem sempre combate a mentira e o cinismo com coragem, frontalidade e verdade. E é isso que permite que Durão e Portas permaneçam no poder, e se tudo continuar assim, e especialmente se perderem as eleições europeias, nele continuem após as próximas legislativas.


publicado por henrique doria às 16:54
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