blog filosófico, cultural e político
Domingo, 3 de Setembro de 2006
PERGUNTAS A UM LADRÃO PERANTE DEUS

Porquê hás-de pedir misericórdia pela vida breve e mísera que levaste?

Se a tiveste, quem te a deu?

Dizem que Ele te criou livre. Mas acaso te foi permitido escolher entre ser ou não ser?

Acaso Aquele que te criou te perguntou se querias nascer num tugúrio de Harlem ou num

palácio em Beverly Hills?

Acaso te foi permitido escolher entre teres um pai violento, bêbado e analfabeto, ou um pai

terno e sábio?

Morreste, aos quinze anos, com um tiro nas costas, quando fugias da polícia por teres roubado

uma carteira para te esqueceres da tua existência através da heroína.

Se Deus te permitisse terias sido marinheiro. Mas só no momento da morte conheceste o mar,

quando sentiste que corrias sobre o Oceano Pacífico, e Ele te lançou num maelstrom que te

sugava vertiginosamente, descendo em círculos cada vez menores até à boca branca que te

engoliria no seu fundo.

Acaso Aquele que diz que te criou e te ama, mas não te permitiu escolheres a tua vida, te

permitiu escolheres a tua morte?

Antes de perdires misericórdia, lembra-te que a cobardia, mesmo perante Deus, é o maior

pecado que qualquer humano pode cometer.

Aqui, o único que deve ser julgado é Ele, e não tu.



publicado por henrique doria às 14:30
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9 comentários:
De y_lune a 3 de Setembro de 2006 às 23:52
Texto forte, intenso, sobre as dúvidas existenciais q sp nos perseguem...

bjs
[a lua está linda, hoje!
Ao menos viremo-nos um pouco mais para o firmamento e aspiremos o silêncio doce e tranquilizante]



De Pamina a 5 de Setembro de 2006 às 00:10
Olá Henrique,

O Shakespeare escreveu: "The fault, dear Brutus, is not in our stars, but in ourselves..." Neste caso, eu diria: parcialmente, mas sobretudo no sistema desumano que não lhe deu qualquer chance.
Obrigada pela visitinha. Se tiveres tempo, dá outra passada para veres a encenação das "Bodas de Fígaro" apresentada este ano no festival de Salzburgo. Um beijinho.


De ali_se a 5 de Setembro de 2006 às 00:26
Pensamos que julgamos e assim, somos julgados, somos julgados de muitas formas, não se procure mais, quais outros para culpar, porque alguém virá a se antecipar ao que mais há para culpar!…
Começou-se pelo apontar de dedos porque todos pecadores, agora é com um apontar de dedos bélico… Há que exterminar tudo o que está a mais, incomoda ou é diferente!
E porque atempadamente, não fizemos escolhas, deixámo-nos guiar pelas escolhas dos outros, dos que se apoderaram forçosamente de tudo, em nome de que deus(es) e de que glórias, por não saberem decidir pelo que é Melhor para um BEM-comum… Cobardes-heróis vistos à imagem de uma História tão exemplar, mas para que uso? – A não se repetir!... Mas??!! Exactamente: «a cobardia é pecaminosa!».
E porque todos sabemos como é o desobedecer às ordens instituídas ao que está bem-MAL, tem um preço, é altíssimo! E assim é mais fácil (e por que medo e porque bem ensinados, num qualquer querer acreditar em que fé e em que «modelo») acomodaram-se à enormidade de males (ilusão obrigatória porque legalmente imposta) que os mantém nesta tão falsa, desordeira e até já, mortífera ordem-social. Até quando???
Obrigada e um abraço


De Júlia a 5 de Setembro de 2006 às 16:52
olá, henrique! bom estar aqui! Estou a gostar das matérias do teu blogue, porque diversificadas. Voltarei,podes crer.

abraço
júlia


De Jose Duarte a 5 de Setembro de 2006 às 22:35
Pessoalmente, defendo que devemos encontrar o nosso desígnio e lutar por ele.
Nada de determinismos.
Podemos sempre alterar qualquer coisa; devemos sempre lutar por isso.
Um abraço


De aspásia a 6 de Setembro de 2006 às 15:45
olá Henrique

Concordo com a ali-se. Este texto reflecte a sociedade actual, que está cada vez pior nomeadamente desde os anos 80 do sec.passado.

Beijinhos


De dulce a 7 de Setembro de 2006 às 23:50
Eu não julgo. Apenas não acredito n'Ele. Perante tanta desumanidade como acreditar? Acredito em nós - seres humanos - pelo menos em alguns. Os que conseguem ser HUMANOS.
Convidaste. Apareci!
Um abraço


De Menina_marota a 8 de Setembro de 2006 às 15:07
Quando morrer e se realmente comparecer perante Ele, vou pedir-lhe perdão por tantas vezes ter duvidade da Sua existência e perguntar-lhe onde ele estava enquanto homens se matavam uns aos outros, pais violavam filhos e filhos matavam pais...
Onde ele estava quando...para quê continuar?
São tantas as perguntas que gostaria de lhe fazer...

Um abraço e bom fim de semana ;)


De risocordetejo a 21 de Setembro de 2006 às 12:55
... e como tu és Ele, não há lugar a julgamentos. Não há tempo para isso, tanta coisa para viver! Um abraço fraterno, amigo, maravilhoso poeta, gosto deste tom poético-bíblico, mas tens de comer mais sol nas tuas manhãs! :-)
R


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