blog filosófico, cultural e político
Domingo, 7 de Junho de 2009
A LIÇÃO DA EUROPEIAS

A DRAMÁTICA ABSTENÇÃO

Se há um motivo forte de reflexão em relação às eleiçõe europeias de hoje é o nível elevadíssimo da abstenção em toda a Europa, mas particularmente em Portugal.

Responsáveis por isso?

Em primeiro lugar:

os portugueses, que se interessam muito pela Europa na medida em que ela os ajuda a viver acima das suas posses;mas quando se trata de se responsabilizarem pelo futuro da Europa através do voto preferem ir dar uma volta pelo centro comercial, nem que seja só para verem as montras.

Em segundo lugar:

os partidos políticos que nas eleições europeias discutiram tudo menos a Europa, contribuindo para o alheamento dos eleitores que bem sabiam que estas elçeições eram para o Parlamento Europeu e não para o Parlamento Nacional.

De tudo o que se declarou hoje anoto apenas como importante o que disse Rui Tavares, o 3º deputado eleito pelo Bloco de Esquerda:

(cito de cor) "Só a Europa nos pode salvar; só nós poderemos salvar a Europa."

Mas parece que os diferentes povos da Europa não perceberam ainda que só a sua união os poderá salvar, e os próprios governos dos países europeus, imersos no seu egoísmo e na sua mediocridade, também ainda não perceberam essa verdade evidente.

Não parecem ter percebido que, no mundo cada vez mais globalizado em que nos encontramos, só a construção de um grande bloco europeu poderá preservar não só a cultura comum de que tem tanta legitimidade para se orgulhar, mas também a economia de que tem todo o interesse em preservar como primeira economia mundial.

Se os europeus e os seus governos ainda não perceberam,  convém que percebam que estão em causa a democracia e a paz em todo o espaço europeu, que a União Europeia e, antes, a Comunidade Económica Europeia consolidaram ao longo de meio século.

OS RESULTADOS ELEITORAIS

Durante algum tempo, apoiado nas sondagens, ainda acreditei que o PS ficaria em primeiro lugar no número de votos expressos.

Mas os resultados eleitorais ditaram a sua derrota clamorosa, se bem me lembro um dos piores resultados de sempre do PS.

Foi o resultado da sua cegueira política em alguns sectores, em particular na função pública, e, dentro desta, na educação.

O PS arrogante ainda não percebeu até que ponto foram a arrogância e a incompetência da ministra e dos seus secretários de estado, os principais culpados pela sua derrota.

O PSD venceu. Mas este seu resultado foi também um dos piores em eleições europeias.À direita salvou-a sim a inesperada resistência do eleitorado do CDS, que ainda lhe dá esperanças de poder governar face a uma esquerda largamente maioritária, mas dividida.

Vencedor foi, sem margem para dúvidas, o Bloco de Esquerda: mais que duplicou os anteriores resultados e passou de um deputado para três.

O resultado da CDU é algo ilusório, porque o eleitorado da CDU tem uma fidelidade que não existe em relação aos outros partidos, incluindo o BE, pelo que a abstenção a favoreceu muito. Em futuras legislativas se verá quanto os 10,7% de hoje são ilusórios, mas não o são relativamente ao Bloco de Esquerda.

VITAL MOREIRA

Ao contrário dos analistas políticos que, como damas de chá e canasta se escandalizaram com a frontalidade de Vital Moreira, entendo que a sua actuação se pautou pela frontalidade e pela verdade, nem que fosse a sua verdade, de que muitas vezes discordo.

Num país de medíocres e videirinhos, quem usa a frontalidade e a sua verdade corre o risco de ser derrotado. Vital Moreira ousou enfrentar a mediocridade e os falsos pudores e, como era inevitável, perdeu.

Mas não perdeu na consideração de quem não se conforma com a mediocridade e a videirice gerais.

Tentou trazer a Europa para o debate eleitoral. Não o conseguiu porque o PS não o deixou.

Viajei 180 km para votar nele, não no PS. Não estou arrependido. 

 



publicado por henrique doria às 23:56
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2 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 8 de Junho de 2009 às 16:10
É verdade que as últimas eleições não foram para o governo da república mas o seu resultado não pode ser completamente alheio à governação do PS.

No meu conceito de democracia, qualquer governo que durante a campanha eleitoral promete governar num determinado sentido e depois da votação, uma vez chegado ao poder procede exactamente ao contrário deveria ser imediatamente demitido e marcadas novas eleições, por falta de honestidade e de legitimidade para prosseguir a sua governação. Tal situação deveria ser até considerada na própria constituição da república.
É conhecido que os partidos fazem promessas durante as campanhas eleitorais que acabam por não cumprir, mas o PS inovou neste aspecto: prometeu, os eleitores deram-lhe o voto em virtude dessas promessas e depois quando chegou ao poder com maioria absoluta tratou de fazer exactamente o contrário do prometido, por isso não deve admirar-se do resultado destas eleições.

Zé da Burra o Alentejano


De yupy-on a 8 de Junho de 2009 às 21:38
Visita e comenta no blog sobre as novelas da TVI:http://yupy-on.blogs.sapo.pt/


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