blog filosófico, cultural e político
Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
CRISTINA CAMPO E O AMOR A DEUS

Compreendi, através da prosa divina de CRISTINA CAMPO, como é possível alguém invulgarmente inteligente acreditar em Deus.

Quando Cristina Campo escreve:

" « Que eu jamais queira pedir-te amor» deveria ser o voto recíproco dos amantes",

eis onde está a crença em Deus que, nas palavras de Cristina Campo, não significa mais que o indizível, incompreensível Amor.

Mas, aqui, a cristã Cristina Campo, sentindo-se no mundo como num campo de concentração, pretende ultrapassar os ensinamentos de Cristo.

Não foi Cristo que disse: "Amarás... o teu próximo como a ti mesmo."?

Nestas palavras estava Cristo a dizer-nos que o limite do amor ao outro é o amor a si mesmo, e que o amor a si mesmo é o ponto de partida para o amor ao outro, mas também o ponto de chegada.

Dito de outra maneira: o amor ao outro é o melhor caminho para o homem se amar a si próprio.

Cristina Campo critica Job porque " não teve nenhum respeito por Ele, nem reserva, nem discreção." Mas Job era apenas homem, e até aceitou resigandamente perder os seus bens e a sua saúde. Mas como poderia Job aceitar a perda de seus filhos que nenhuma culpa tinham dos pecados do pai, que nenhuns pecados cometera, mas servia apenas de joguete entre Deus e o Demónio?

Ele era apenas humano, o seu amor nunca poderia ser infinito, pois nem infinito é o amor de Deus pelos homens. Porque Deus há-de julgar e condenar a grande maioria dos homens, aceitando assim a perda do seu amor por eles ( apesar de Giovani Papini os tentar salvar a todos, de Gilles de Rais a Tamerlão e a Sade, no seu JUÍZO UNIVERSAL - mas não já ao sádico Hitler nem ao cínico Stalin).

Na verdade, o credo cristão, embora Lucas coloque na boca de Cristo as palavras: " mas aqueles que forem julgados dignos de participar do outro mundo, e da ressurreição dos mortos, não se casam nem são dados em casamento, porque já não podem morrer: são semelhantes aos anjos...", apesar disso, o credo cristão tem como princípio de fé a ressurreição da carne. E tal não pode significar outra coisa que, até na ressurreição, o homem não deixará de ser homem.

Por isso, o amor do homem apenas poderá ser humano, aceitando a perda.

A crença e o infinito amor a Deus eram uma miragem de Cristina Campo.

Porque o deserto nunca estará prenhe de água.

Porque ao homem nunca será dado ouvir, como pretendia HAKUIN no seu koan, " o aplauso de uma só mão."

 



publicado por henrique doria às 21:25
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2 comentários:
De dina maria marques a 6 de Fevereiro de 2010 às 19:48
O aplauso da minha mão, o reafirmar das palavras já ditas...

Beijo.


De gabriela rocha martins a 16 de Fevereiro de 2010 às 16:47
à laia de rescaldo

obrigada pelo beijo
obrigada pelo abraço
obrigada pela partilha

ou simplesmnete


obrigada AMIGO



.
um beijo



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